As vezes achamos engraçado como o destino joga tudo que a gente planeja para cima. Fazemos planos com toda dedicação e cuidado, para então um mínimo acontecimento jogar tudo ao léu. Você fica bastante triste, talvez frustrado, então começa a repassar isso para seus próximos planos que passam a ter uma tendência ainda mais negativa. O sujeito positivo então torna-se aquele futuro velho ranzinza que você não consegue entender de onde surge tanto mal humor, talvez aquele sujeito que sempre está sentado na última mesa do bar, sempre vestindo uma roupa deselegante enquanto pede a mesma dose de whisky sem gelo. Dotado de desanimação, você se depara com algo - geralmente um alguém - que te faz mudar totalmente sua visão e logo tudo parece ter sido feito especialmente para você. O que é mais engraçado - talvez irônico - nisso tudo é que essa "melhor coisa do mundo" provavelmente não cruzaria seu caminho se o destino - sim, o destino la da primeira frase - não tivesse bagunçado tudo e te causado tanta frustração. E a melhor parte: agora você sabe lhe dar com a nova dádiva da melhor forma possível, te fazendo inclusive pensar que aquele "problema" foi a melhor coisa que te aconteceu, além de experiência te possibilitou o real premio que você tanto esperou. Só nos resta a pergunta de um milhão de dólares: será que esse novo presente não vai ser mais uma preparação para um futuro ainda melhor?
"We are all rowing in the boat of fate, the waves keep on coming and we can't escape. But if we ever get lost on our way, the waves will guide you through another day".
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
terça-feira, 8 de outubro de 2013
How to play?
As vezes nos deparamos com um problema clássico de escolhas dentro de um modelo da realidade montado na nossa cabeça, que sempre tem a intenção de nos ludibriar. Tentamos montar um fluxograma de possíveis respostas as nossas atitudes frente ao que achamos que nossos "oponentes" vão nos apresentar e assim encontrar a atitude mais racional frente a tal situação. O problema disso tudo se volta na situação em que as reações que empaticamente tomamos como corretas são na verdade uma desfiguração da realidade, tomada por nosso orgulho ou medo, um excesso de raciocínio lógico em uma zona que em muitas vezes não deve ser tratada como um jogo, coisa que fazemos de modo automático. Seria a solução para o problema o puro conhecimento de ambas as partes? Seria uma confiança plena? Seria simplesmente a atitude de jogar abertamente? Ou melhor, não jogar? As vezes fazemos tudo como se estivéssemos em um tabuleiro, racionalizando qual o melhor movimento a seguir, mas, acho que estragamos tudo justamente por achar que é um jogo e que alguém tem que perder.
Acho que é possível sim deixar espaço para algumas relações pessoais não "competitivas", onde o que conta é simplesmente esquecer o en passant da coisa. Não sou lá um especialista nisso de ter ação sem previsão, mas vai la: dizem que tem uma primeira vez para tudo, não?
"Talvez seja bom ter uma mente bonita, mas um dom ainda maior é descobrir um coração bonito".
- John Nash
Acho que é possível sim deixar espaço para algumas relações pessoais não "competitivas", onde o que conta é simplesmente esquecer o en passant da coisa. Não sou lá um especialista nisso de ter ação sem previsão, mas vai la: dizem que tem uma primeira vez para tudo, não?
"Talvez seja bom ter uma mente bonita, mas um dom ainda maior é descobrir um coração bonito".
- John Nash
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
Sujeito original
Eis que surge o sujeito original, o rapaz autêntico. Usa aquela camisa lisa sem estampa, geralmente acompanhada de uma calça comprada em uma loja de departamentos simplória. Tem alguns gostos exóticos, outros pra la de idiotas. Adora comer naquela lanchonete da esquina e sair para os bares mais esquisitos. Tem amigos igualmente estranhos - nunca tão estranhos quanto, mas, chegam perto - que também adoram coisas estranhas. As vezes é cotado como um cara super intelectual que entende profundamente alguns temas, outra hora é o sujeito infantil que perde tempo com coisa inútil.
Adora aquele MPB que a esquerda caviar taxa como melhor música do mundo, mas também escuta as mais diversas porcarias audíveis. O moço que diz na sua cara que sua roupa está uma porcaria e que seu novo cabelo está péssimo. Fala que você é o máximo se você for realmente o máximo.
Esse é o sujeito original, enquanto ele anda os outros notam, enquanto ele corre os outros criticam, enquanto ele...Bom, ele está pouco se fodendo para os outros.
Ele nunca liga, mas quando resolve ligar, sorte a sua... Ou azar dele.
Adora aquele MPB que a esquerda caviar taxa como melhor música do mundo, mas também escuta as mais diversas porcarias audíveis. O moço que diz na sua cara que sua roupa está uma porcaria e que seu novo cabelo está péssimo. Fala que você é o máximo se você for realmente o máximo.
Esse é o sujeito original, enquanto ele anda os outros notam, enquanto ele corre os outros criticam, enquanto ele...Bom, ele está pouco se fodendo para os outros.
Ele nunca liga, mas quando resolve ligar, sorte a sua... Ou azar dele.
domingo, 29 de setembro de 2013
Blindagem de alma e espírito
Durante toda a vida somos obrigados a realizar escolhas, as vezes boas, as vezes ruins, mas que não podemos fugir. Até mesmo pequenas escolhas nos empurram para um fluxograma de ilimitadas variáveis, mostrando que até mesmo um mínimo ato de educação pode refletir em uma imensa cadeia de acontecimentos na vida de diversos indivíduos.
A bola da vez hoje em dia é falar que "gentileza gera gentileza", que desejar um bom dia ou pedir licença vai gerar uma cadeia de boas ações na vida de outros indivíduos. O que as pessoas parecem esquecer é que sacanagem gera sacanagem. Não conseguem segurar a língua na hora do menor desconforto, as vezes o fazendo por puro esporte. Parece até bobagem, mas, algumas pessoas conseguem ter seu dia arruinado por uma simples frase, ainda mais quando a "navalhada" sai da boca certa.
Por mais que você se encaixe no perfil do sujeito que não liga para muita coisa, sempre vai haver um alguém com o poder de te arrasar com meia dúzia de palavras. A parte "engraçada" da coisa é que o sujeito blindado sempre sofre mais, apesar de geralmente não se importar com esse tipo de coisa. Vai ver sofre mais pela falta de calos e condicionamento ao sofrimento. O sujeito blindado aparenta não se importar com ninguém, tenta não cultivar muitas amizades e está sempre morno, sempre a coisa está no tanto faz. Observa atitudes alheias que deveriam lhe causar tristeza, angustia e mágoa, mas ele se resume a continuar andando e fixar-se em seus afazeres. O típico camarada que não liga para as brincadeiras de mau gosto e que segue reto quando alguém lhe ofende. O rapaz que prefere passar reto, não se importar e não achar graça.
Até que um dia acontece algo que o deixa maleável, algo que consegue tirar a armadura emocional do sujeito. Ele passa a ver as coisas de modo diferente, passa a achar que aquela onda de monotonia vai embora, acha que a vida agora tem sal. Passa a prestar atenção naquelas arvores que antes pareciam não ter a menor graça, os pássaros que antes só irritavam com o estúpido canto parecem agradar de alguma forma, até mesmo as letras daquela banda melosa parecem mostrar algum tipo de sentido. O dia tem cor, o pensamento passa a estar carregado de "positividade, então o sujeito sente-se bem para falar com todos e passa as noites em claro, pensando com o que o futuro pode vir a lhe brindar.
Até que um dia a menor quebra de expectativa faz o sujeito cair no fundo do poço. Lamenta ao máximo toda sua ingenuidade para com aquilo que sempre foi indiferente, querendo formular uma maneira que explique o que fez um sujeito até então rígido emocionalmente cair em uma armadilha como essa. Até mesmo passa a ficar impressionado como que em um curto espaço de tempo a felicidade pode vir e ir, de modo a se valer de toda aquela porcaria que a TV te faz engolir sobre amor e realização pessoal. Ele se olha no espelho e fala em voz alta: "você é a pessoa mais idiota que eu já conheci".
Então surge o dilema que o obriga a continuar sendo "idiota" ou adquirir mais amor próprio, que na verdade é um código para uma blindagem mais árdua e cruel que só vai tornar sua vida ainda mais indiferente que antes. Agora o sujeito parece ter um motivo sólido e concreto para achar que a sinceridade é o ouro dos tolos, de ter em sua cabeça que a indiferença emocional é o melhor caminho para o sucesso dos seus objetivos.
No fim das contas sacanagem gera sacanagem, e agora o sujeitinho vai descontar isso tudo na próxima pessoa que tenta livrar-se da carapaça da indiferença, criando mais um indiferente e gelado coração a rondar pelas ruas em preto e branco.
Ou então o sujeito vai perceber que a felicidade não pode ser escolhida de forma autônoma, aprendendo que não se pode esquivar da tristeza sem perder a felicidade. Vai saber que as melhores coisas estão envolvidas nos maiores riscos, nas maiores atitudes. A real conquista está firmada na dificuldade e na superação das decepções. Vai ser o cara mais feliz do mundo quando a oportunidade bater em sua porta. Vai poder falar: "eu tinha tudo para desistir, mas resolvi viver e ser feliz".
Aposte alto, entregue-se, divirta-se! Viva sua vida dentro daquele clichê escroto de aproveitar os dias como se fossem os últimos! Faça tudo do seu jeito, sem mudar, sem mentir e alguma hora vai encontrar o que tanto procurou. Não procure saber o final com antecedência se pode aproveitar o hoje e ser feliz com o que está ao seu alcance.
E então, o que vai dizer ao espelho?! Você é o cara mais idiota que já conheci ou Você é o maior sortudo desse mundo?
A bola da vez hoje em dia é falar que "gentileza gera gentileza", que desejar um bom dia ou pedir licença vai gerar uma cadeia de boas ações na vida de outros indivíduos. O que as pessoas parecem esquecer é que sacanagem gera sacanagem. Não conseguem segurar a língua na hora do menor desconforto, as vezes o fazendo por puro esporte. Parece até bobagem, mas, algumas pessoas conseguem ter seu dia arruinado por uma simples frase, ainda mais quando a "navalhada" sai da boca certa.
Por mais que você se encaixe no perfil do sujeito que não liga para muita coisa, sempre vai haver um alguém com o poder de te arrasar com meia dúzia de palavras. A parte "engraçada" da coisa é que o sujeito blindado sempre sofre mais, apesar de geralmente não se importar com esse tipo de coisa. Vai ver sofre mais pela falta de calos e condicionamento ao sofrimento. O sujeito blindado aparenta não se importar com ninguém, tenta não cultivar muitas amizades e está sempre morno, sempre a coisa está no tanto faz. Observa atitudes alheias que deveriam lhe causar tristeza, angustia e mágoa, mas ele se resume a continuar andando e fixar-se em seus afazeres. O típico camarada que não liga para as brincadeiras de mau gosto e que segue reto quando alguém lhe ofende. O rapaz que prefere passar reto, não se importar e não achar graça.
Até que um dia acontece algo que o deixa maleável, algo que consegue tirar a armadura emocional do sujeito. Ele passa a ver as coisas de modo diferente, passa a achar que aquela onda de monotonia vai embora, acha que a vida agora tem sal. Passa a prestar atenção naquelas arvores que antes pareciam não ter a menor graça, os pássaros que antes só irritavam com o estúpido canto parecem agradar de alguma forma, até mesmo as letras daquela banda melosa parecem mostrar algum tipo de sentido. O dia tem cor, o pensamento passa a estar carregado de "positividade, então o sujeito sente-se bem para falar com todos e passa as noites em claro, pensando com o que o futuro pode vir a lhe brindar.
Até que um dia a menor quebra de expectativa faz o sujeito cair no fundo do poço. Lamenta ao máximo toda sua ingenuidade para com aquilo que sempre foi indiferente, querendo formular uma maneira que explique o que fez um sujeito até então rígido emocionalmente cair em uma armadilha como essa. Até mesmo passa a ficar impressionado como que em um curto espaço de tempo a felicidade pode vir e ir, de modo a se valer de toda aquela porcaria que a TV te faz engolir sobre amor e realização pessoal. Ele se olha no espelho e fala em voz alta: "você é a pessoa mais idiota que eu já conheci".
Então surge o dilema que o obriga a continuar sendo "idiota" ou adquirir mais amor próprio, que na verdade é um código para uma blindagem mais árdua e cruel que só vai tornar sua vida ainda mais indiferente que antes. Agora o sujeito parece ter um motivo sólido e concreto para achar que a sinceridade é o ouro dos tolos, de ter em sua cabeça que a indiferença emocional é o melhor caminho para o sucesso dos seus objetivos.
No fim das contas sacanagem gera sacanagem, e agora o sujeitinho vai descontar isso tudo na próxima pessoa que tenta livrar-se da carapaça da indiferença, criando mais um indiferente e gelado coração a rondar pelas ruas em preto e branco.
Ou então o sujeito vai perceber que a felicidade não pode ser escolhida de forma autônoma, aprendendo que não se pode esquivar da tristeza sem perder a felicidade. Vai saber que as melhores coisas estão envolvidas nos maiores riscos, nas maiores atitudes. A real conquista está firmada na dificuldade e na superação das decepções. Vai ser o cara mais feliz do mundo quando a oportunidade bater em sua porta. Vai poder falar: "eu tinha tudo para desistir, mas resolvi viver e ser feliz".
Aposte alto, entregue-se, divirta-se! Viva sua vida dentro daquele clichê escroto de aproveitar os dias como se fossem os últimos! Faça tudo do seu jeito, sem mudar, sem mentir e alguma hora vai encontrar o que tanto procurou. Não procure saber o final com antecedência se pode aproveitar o hoje e ser feliz com o que está ao seu alcance.
E então, o que vai dizer ao espelho?! Você é o cara mais idiota que já conheci ou Você é o maior sortudo desse mundo?
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Algorítimo de validação do amor perfeito
Quando você se faz interessado em uma pessoa, é correto que siga os seguintes passos para não estragar tudo:
1 - Apesar de estar extremamente interessado, se faça de maluco e diga que não esta nem ai. Faça pinta de difícil e de que vai pensar no caso.
2 - Diga sempre coisas boas a seu respeito. Em falta? Inventa! O que vale nesse passo é mostrar o que você tem de bom, mesmo que a pessoa descubra na semana seguinte que você não é capitão do time de polo. Os defeitos a gente deixa pra depois, afinal, todo mundo erra.
3 - Apesar de ter muita vontade de ligar nunca faça isso. Mostra que você é um fodido e que tem vontade de ver a pessoa, afinal, o lance é parecer descolado e bad boy.
4 - Sempre que tiver prestes a ser cotado como cara bacana seja escroto. Seja grosso e rude, seja indiferente, um filho da puta.
5 - Nunca fale algo profundo, tampouco escreva poesia, afinal, poesia é coisa de viado.
6 - Dizer que sente saudades?! Bah! Apenas fale que não tinha nada melhor pra fazer e por isso ta encontrando a pessoa.
7 - Caso esteja ficando sem graça volte ao passo 4, afinal, o segredo é ser um filho da puta.
Segredo pra ser um rapaz descolado e bem cotado, que infelizmente, não me serve. Essa coisa de ser descolado nunca foi meu forte. Acho que eu prefiro alguém cafona, que saiba ouvir o contrario dessa lista e ainda assim achar graça em você. Tipo isso.
(:
1 - Apesar de estar extremamente interessado, se faça de maluco e diga que não esta nem ai. Faça pinta de difícil e de que vai pensar no caso.
2 - Diga sempre coisas boas a seu respeito. Em falta? Inventa! O que vale nesse passo é mostrar o que você tem de bom, mesmo que a pessoa descubra na semana seguinte que você não é capitão do time de polo. Os defeitos a gente deixa pra depois, afinal, todo mundo erra.
3 - Apesar de ter muita vontade de ligar nunca faça isso. Mostra que você é um fodido e que tem vontade de ver a pessoa, afinal, o lance é parecer descolado e bad boy.
4 - Sempre que tiver prestes a ser cotado como cara bacana seja escroto. Seja grosso e rude, seja indiferente, um filho da puta.
5 - Nunca fale algo profundo, tampouco escreva poesia, afinal, poesia é coisa de viado.
6 - Dizer que sente saudades?! Bah! Apenas fale que não tinha nada melhor pra fazer e por isso ta encontrando a pessoa.
7 - Caso esteja ficando sem graça volte ao passo 4, afinal, o segredo é ser um filho da puta.
Segredo pra ser um rapaz descolado e bem cotado, que infelizmente, não me serve. Essa coisa de ser descolado nunca foi meu forte. Acho que eu prefiro alguém cafona, que saiba ouvir o contrario dessa lista e ainda assim achar graça em você. Tipo isso.
(:
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Educação e narcotráfico no Rio de Janeiro
Estive refletindo esses dias sobre as letras de diversas músicas de funk, tentando analisar o que se passa na realidade dos garotos que cantam os famosos "proibidões", músicas com um alto teor de incentivo a criminalidade e aversão a policiais. Ouvi uma quantidade razoável de músicas, sempre prestando atenção na letra e tentando me colocar no lugar do autor da letra, para então, tentar compreender ao menos 1/100 daquela realidade.
As músicas geralmente não tem qualquer tipo de censura quanto a palavrões, apologia à violência, ao tráfico de drogas, a ostentação e ao apelo sexual. Quem encara esse tipo de letra de primeira vez não consegue enxergar nada além do simples esbanjar do "favelês" e da violência extrema, porém, o buraco é mais fundo do que se espera.
As crianças que nascem meio a realidade das favelas do Rio de Janeiro são condicionadas a uma realidade cruel e violenta, coisa que acompanhada de uma educação precária faz com que o incentivo ao conhecimento seja mínimo. Ser o "dono do morro" passa a ser o objetivo de vida de quem cresce dentro daquela atmosfera que para nós de fora aparenta ser de pura violência, mas para eles, a violência é apenas um detalhe. A emoção de ser um criminoso, um traficante, ou portar armas de fogo como forma de ostentação chega a ser um motivo de orgulho, de ser "o cara". A questão dos jovens enxergarem um futuro brilhante como um "mestre" do crime ao invés de uma vida como mestre em uma profissão qualquer.
A questão X seria: apenas o incentivo a educação que tanto é cobrado vai fazer com que o Joãozinho que nasce no Dendê queira mudar a sua realidade? Será que o garoto vai deixar de achar bonito posar para fotos com um fuzil AR-15 e uma pistola .40 presa no calção? Será que o simples fato da infra-estrutura das escolas melhorarem vai desmistificar a cabeça do garoto sobre a vida de ouro meio ao tráfico de drogas dentro das favelas?
Acho que o problema não está somente em reverter mais dinheiro para educação, mas, no modo que essa educação é feita. Depois de ouvir tantas músicas prestando atenção aos mínimos detalhes pude perceber que é uma questão de honra: crescer em meio ao tráfico, esbanjar das suas "dádivas" e morrer como "homem", coisa que na realidade das favelas consiste em morrer em meio as trocas de tiros contra a ação policial.
Na minha humilde opinião isso está longe de ser morrer como homem. Eu que sou um "homem de números" não tenho tantas sugestões para esse problema. Mas vocês que despendem tanto tempo estudando esse tipo de coisa, acham que a realidade pode ser transformada? Como?
"Na faixa de gaza eu sou homem bomba, na guerra é tudo ou nada".
*Agradecimentos a Neto Silva e Frederico Bezerra por me fazer despertar a curiosidade sobre o tema.
As músicas geralmente não tem qualquer tipo de censura quanto a palavrões, apologia à violência, ao tráfico de drogas, a ostentação e ao apelo sexual. Quem encara esse tipo de letra de primeira vez não consegue enxergar nada além do simples esbanjar do "favelês" e da violência extrema, porém, o buraco é mais fundo do que se espera.
As crianças que nascem meio a realidade das favelas do Rio de Janeiro são condicionadas a uma realidade cruel e violenta, coisa que acompanhada de uma educação precária faz com que o incentivo ao conhecimento seja mínimo. Ser o "dono do morro" passa a ser o objetivo de vida de quem cresce dentro daquela atmosfera que para nós de fora aparenta ser de pura violência, mas para eles, a violência é apenas um detalhe. A emoção de ser um criminoso, um traficante, ou portar armas de fogo como forma de ostentação chega a ser um motivo de orgulho, de ser "o cara". A questão dos jovens enxergarem um futuro brilhante como um "mestre" do crime ao invés de uma vida como mestre em uma profissão qualquer.
A questão X seria: apenas o incentivo a educação que tanto é cobrado vai fazer com que o Joãozinho que nasce no Dendê queira mudar a sua realidade? Será que o garoto vai deixar de achar bonito posar para fotos com um fuzil AR-15 e uma pistola .40 presa no calção? Será que o simples fato da infra-estrutura das escolas melhorarem vai desmistificar a cabeça do garoto sobre a vida de ouro meio ao tráfico de drogas dentro das favelas?
Acho que o problema não está somente em reverter mais dinheiro para educação, mas, no modo que essa educação é feita. Depois de ouvir tantas músicas prestando atenção aos mínimos detalhes pude perceber que é uma questão de honra: crescer em meio ao tráfico, esbanjar das suas "dádivas" e morrer como "homem", coisa que na realidade das favelas consiste em morrer em meio as trocas de tiros contra a ação policial.
Na minha humilde opinião isso está longe de ser morrer como homem. Eu que sou um "homem de números" não tenho tantas sugestões para esse problema. Mas vocês que despendem tanto tempo estudando esse tipo de coisa, acham que a realidade pode ser transformada? Como?
"Na faixa de gaza eu sou homem bomba, na guerra é tudo ou nada".
*Agradecimentos a Neto Silva e Frederico Bezerra por me fazer despertar a curiosidade sobre o tema.
sábado, 17 de agosto de 2013
A marcha da insensatez
Com uma extrema facilidade notamos a maior presença de indivíduos que propagam ideias que para uma mente que funciona de forma normal à realidade, parecem não pensar. Sujeitos que acham que o sucesso deve ser punido e o fracasso premiado, sujeitos que encaram a realidade em uma espécie de reversal russa, onde a alavancagem para o sucesso se baseia em uma premissa irracional de que se deve odiar o sujeito mais bem sucedido que você, mas, não apenas odiar, e sim de imediato derruba-lo para o seu nível de mediocridade e imbecilidade ao invés de inspirar-se para superar tal obstáculo. Estamos de frente para uma geração de famigerados FILHOS DA PUTA! Sujeitos que não tem a menor capacidade de discernimento do que é correto para sua própria pessoa - geralmente provada a partir de sua própria realidade de fracasso - tentam impor para Deus e o mundo uma ideia deturpada de seus pífios valores - valores? - morais, senso de justiça e tomada de decisões. Quero avisar de antemão a todos que prezam por serem donos de seu próprio nariz: as decisões que vão mudar totalmente o rumo da sua vida estão sendo tomadas pela geração pitaco, da qual baseia seus argumentos em chutes fora da realidade. Cuidar da sua própria vida hoje em dia é pecado, é tabu.
Espero de coração que a prepotência de certas imbecilidades "intelectuais" brasileiras seja tratada de imediato. Sim, tratada.
"Aqueles que não fazem nada estão sempre dispostos a criticar os que fazem algo."
Espero de coração que a prepotência de certas imbecilidades "intelectuais" brasileiras seja tratada de imediato. Sim, tratada.
"Aqueles que não fazem nada estão sempre dispostos a criticar os que fazem algo."
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
Resumo: Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda. Segundo Capítulo.
Conclusões a cerca do
segundo capítulo do livro “Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”.
Keynes trás
a análise de dois postulados da economia neoclássica (por ele chamada como
clássica) que são:
·
O salário é igual ao produto marginal do trabalho: O salário terá valor correspondente
à contribuição marginal feita por um determinado trabalhador, no caso, ele vai
receber uma quantia equivalente ao que por ele foi produzido.
·
A utilidade do salário, quando está empregada uma dada quantidade de mão
de obra, é igual à desutilidade marginal desse mesmo volume de emprego: O nível de emprego é determinado
suficientemente pelos salários reais (W/P). Um aumento dos salários reais provocaria
maior oferta de mão-de-obra e vice-versa.
Keynes aceitará o
primeiro postulado. Atribuirá que de fato essa condição acontece e pode ser utilizada
para uma análise econômica. No entanto, ele rejeita o segundo postulado
afirmando que a teoria não tem relevância na realidade, já que se a queda dos
salários reais acontecerem devido ao aumento do índice de preços, a oferta de
trabalho não será reduzida, pelo contrário, os trabalhadores desejarão ainda
mais uma fonte de renda para cobrir os novos gastos.
Contudo, Keynes chega a
uma conclusão no que envolve o desemprego: existe um desemprego involuntário.
Tal premissa não era aceita pela escola neoclássica, onde os únicos desempregos
possíveis seria o desemprego “Friccional” que representa o tempo de transição
que um trabalhador vai gastar para realocar-se em um novo emprego, ou o
trabalhador não aceitará a proposta do demandante, alegando que sua força de
trabalho tenha um valor acima do ofertado.
Keynes alega que na
realidade existem notórias diferenças entre o que supõe os neoclássicos e o que
de fato acontece. De acordo com Lord Keynes, a realidade mostra que a preocupação
dos trabalhadores se restringe apenas aos salários nominais, mas, isso também
classificaria uma situação de desemprego voluntário, já que os trabalhadores
estariam dispostos a trabalharem apenas por um determinado salário. Os
neoclássicos acham que a substituição do salário real pelo salário nominal não
abalaria sua teoria, mas, Keynes prova que a curva de oferta se deslocará
sempre que houver um aumento de preços, assim, tornando impossível a
sustentação do segundo postulado. Com isso Keynes chega a seguinte definição: Há desempregados involuntários, quando, na
eventualidade de uma ligeira elevação dos preços dos bens salariais
relativamente aos salários nominais, tanto a oferta agregada de mão de obra
disposta a trabalhar pelo salário nominal corrente como a demanda agregada da
mesma ao dito salário sejam superiores ao volume de emprego existente.
A curva
de oferta de mão-de-obra realista estaria inclinada a esquerda, mostrando que a
variação na quantidade de mão de obra demandada não afetaria os salários de
forma significativa, já que sempre o volume de mão-de-obra disponível estaria constantemente
acima da demanda agregada pela mesma, no caso, os trabalhadores estariam sempre
dispostos a trabalhar pelo salário vigente, alguns por um salário menor que o
vigente e ainda assim a demanda seria insuficiente para atingir uma situação de
pleno emprego na maioria das situações, assim, mostrando que a teoria neoclássica
que determina a oferta de mão de obra não consegue validar-se dentro da
realidade.
domingo, 11 de agosto de 2013
Lágrimas desde 1949
O quão duro pode ser
O preço a se pagar por viver
Hasteando a liberdade
Proclamando a honestidade
Não parecem entender
A difamação de veras cruel
Invertendo o real papel
Onde fazer é desfazer
O amor desmerecer
A honra está ao léu
Não entendem que a prudência
Está atrelada a consciência
Que a mistura em ardor
Entre a luta e o terror
Não justifica a pertinência
Que sorte a minha não despertar
Para o que está a me esperar
Já que para o genocídio de um todo
Banhado a culpa e o criminoso
Eu não quero acordar
- Paulo Henrique Medeiros
O preço a se pagar por viver
Hasteando a liberdade
Proclamando a honestidade
Não parecem entender
A difamação de veras cruel
Invertendo o real papel
Onde fazer é desfazer
O amor desmerecer
A honra está ao léu
Não entendem que a prudência
Está atrelada a consciência
Que a mistura em ardor
Entre a luta e o terror
Não justifica a pertinência
Que sorte a minha não despertar
Para o que está a me esperar
Já que para o genocídio de um todo
Banhado a culpa e o criminoso
Eu não quero acordar
- Paulo Henrique Medeiros
quarta-feira, 24 de julho de 2013
Honestly
Paul Against the World - Honestly
In your lost mind
I can find thirst
Through your flesh mask
A real of you
Say be honest
With your needs
Say i'll be there
Just call my name
Hey girl i don't wanna give you my soul
Hey dude can you handle that ghoul?
Real madness
Pool of sorrow
I can't see him
There's nothing to hold
Full of meanings
Many Feelings
For the next time?
Use a fake name
Hey girl i don't wanna give you my soul
Hey dude can you handle that ghoul?
(solo)
Hey girl i don't wanna give you my soul
Hey dude can you handle that ghoul?
In your lost mind
I can find thirst
Through your flesh mask
A real of you
Say be honest
With your needs
Say i'll be there
Just call my name
Hey girl i don't wanna give you my soul
Hey dude can you handle that ghoul?
Real madness
Pool of sorrow
I can't see him
There's nothing to hold
Full of meanings
Many Feelings
For the next time?
Use a fake name
Hey girl i don't wanna give you my soul
Hey dude can you handle that ghoul?
(solo)
Hey girl i don't wanna give you my soul
Hey dude can you handle that ghoul?
quinta-feira, 18 de julho de 2013
Achado e perdido
"Quem poderia imaginar
O quão alto se deve pagar
Por um gesto nobre de pureza
Que deveria vir por gentileza
Muitas noites chega a custar
Um severo cobrador
Contente por não receber
Banhado de ambiguidade
Imoral em sua bondade
Insiste em aquecer
Receio? Tristeza?
O que o faz mover?
Te oferece o mais puro vinho
O mais confortável linho
Para no fim disparecer"
- Paulo Medeiros
O quão alto se deve pagar
Por um gesto nobre de pureza
Que deveria vir por gentileza
Muitas noites chega a custar
Um severo cobrador
Contente por não receber
Banhado de ambiguidade
Imoral em sua bondade
Insiste em aquecer
Receio? Tristeza?
O que o faz mover?
Te oferece o mais puro vinho
O mais confortável linho
Para no fim disparecer"
- Paulo Medeiros
domingo, 7 de julho de 2013
Who plans for who?
Interessante como alguns conseguem traçar planos e metas para a vida envolvendo tamanhas conquistas, enormes méritos e realizações. Mas assim como está uma onda para um castelo de areia, está a vida para nossos planos. Somos constantemente forçados contra a parede, nossos planos colocados em xeque e felicidade jogada na mão alheia. Talvez até essa "vida" que assim chamamos seja a casualidade, o modo com que ficamos dependentes dos outros e suas respectivas atitudes.
A questão é: quem planeja para quem? Torna-se uma situação extremamente desconfortável quando você está na palma de alguém para alcançar algo que deseja com todas as forças, que tanto procurar, tanto quer.
Quanto mais você tenta fugir mais preso a isso vai estar. E sabe qual a pior situação? Quando o seu bem mais precioso está atrelado não à alguém, mas a um alguém, uma figura representativa totalmente simbiótica e instável, que nunca pode ser desvendada por completo. Um retro-vírus que se altera quando você está próximo de descobrir como afeta-lo. Você torna-se escravo de uma incógnita, de algo que está por vir.
Talvez você não precise de um caminho pronto, apenas deixe que o vento te leve para casa.
"Who needs a map?!"
A questão é: quem planeja para quem? Torna-se uma situação extremamente desconfortável quando você está na palma de alguém para alcançar algo que deseja com todas as forças, que tanto procurar, tanto quer.
Quanto mais você tenta fugir mais preso a isso vai estar. E sabe qual a pior situação? Quando o seu bem mais precioso está atrelado não à alguém, mas a um alguém, uma figura representativa totalmente simbiótica e instável, que nunca pode ser desvendada por completo. Um retro-vírus que se altera quando você está próximo de descobrir como afeta-lo. Você torna-se escravo de uma incógnita, de algo que está por vir.
Talvez você não precise de um caminho pronto, apenas deixe que o vento te leve para casa.
"Who needs a map?!"
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Karma or something like that
As vezes me pergunto se essa coisa de karma pode ser verdade. Fico um tanto chateado como a volatilidade entre sucesso e fracasso acaba regendo esse tempo na terra que chamamos de vida.
Alguns se esforçam muito por nenhum resultado, outros acabam no topo por acaso. Soa um pouco injusto as vezes, não é?
Talvez o mérito esteja na conquista, talvez no desenrolar da história.
A dificuldade e o insulto parece um combustível para suas ações, talvez até mesmo o sofrimento.
As peripécias da vida cotidiana tornam-se nada mais que o banal insosso, o domingo durante a semana.
O que antes parecia ser algo comum troca papel com o encantador, te fazendo correr atras do que é obviamente errado, talvez até idiota.
O paradoxo da humilhação, dor e traição parecem te impulsionar para o precipício da angústia e rejeição.
Você se sente atraído pelo seu carrasco, encantado pela dor que te proporciona, rapidamente torna-se um vício, seu ópio.
Depois do sofrimento em larga escala, o martírio um tanto demasiado mostra o efeito esperado: o mínimo de conforto é como uma suíte presidencial, o mínimo de comida é um banquete, o mínimo de felicidade é um carnaval.
Como uma droga que pede cada vez mais do mesmo a excitação cobra seu preço: doses maiores de felicidade para menores realizações.
Até que você começa tudo novamente, procura algo negativo para te impulsionar, sofrer para então se encantar.
Acabou me mostrando que ontem a vida era bela, hoje é uma merda; Amanhã uma maravilha, o futuro a morte.
E no final eu continuo achando que essa coisa de karma é uma merda, em sua verdade ou mentira. Talvez nem seja isso, talvez apenas a gasolina da felicidade seja o sofrimento prévio.
Depois de tanto eu apenas lembro de uma única coisa que foge a tudo isso. Ao mesmo tempo é o Deus e o Demônio, o melhor e o pior. especial, desprezível, encantador, suicida, tranquilizante. O algo que todos procuram, o sentimento mais nobre e mais cruel, o santo graal da vida cotidiana. Geralmente atribuído a um ser que veste essa túnica e torna-se o Deus vivo desse sentimento sublime.
No meu caso? Queria só o mais simples e rápido, esperando que esse efeito Kondratiev da vida cotidiana se resolva mais rapidamente. Infelizmente por fazer jus a palavra, devo pagar o preço disso comigo mesmo, principalmente quando dei minha palavra para um tempo indeterminado - sempre (?). Estou preso na queda da onda, na ruína.
Espero apenas conseguir um novo horizonte, um novo porto onde eu possa ancorar. Infelizmente o passado é um fantasma muito cruel, um cobrador bastante sério.
E no fim das contas? Só acho que essa história de karma é uma merda.
"Como pode ter sido ao mesmo tempo a melhor e a pior coisa que me aconteceu?"
Alguns se esforçam muito por nenhum resultado, outros acabam no topo por acaso. Soa um pouco injusto as vezes, não é?
Talvez o mérito esteja na conquista, talvez no desenrolar da história.
A dificuldade e o insulto parece um combustível para suas ações, talvez até mesmo o sofrimento.
As peripécias da vida cotidiana tornam-se nada mais que o banal insosso, o domingo durante a semana.
O que antes parecia ser algo comum troca papel com o encantador, te fazendo correr atras do que é obviamente errado, talvez até idiota.
O paradoxo da humilhação, dor e traição parecem te impulsionar para o precipício da angústia e rejeição.
Você se sente atraído pelo seu carrasco, encantado pela dor que te proporciona, rapidamente torna-se um vício, seu ópio.
Depois do sofrimento em larga escala, o martírio um tanto demasiado mostra o efeito esperado: o mínimo de conforto é como uma suíte presidencial, o mínimo de comida é um banquete, o mínimo de felicidade é um carnaval.
Como uma droga que pede cada vez mais do mesmo a excitação cobra seu preço: doses maiores de felicidade para menores realizações.
Até que você começa tudo novamente, procura algo negativo para te impulsionar, sofrer para então se encantar.
Acabou me mostrando que ontem a vida era bela, hoje é uma merda; Amanhã uma maravilha, o futuro a morte.
E no final eu continuo achando que essa coisa de karma é uma merda, em sua verdade ou mentira. Talvez nem seja isso, talvez apenas a gasolina da felicidade seja o sofrimento prévio.
Depois de tanto eu apenas lembro de uma única coisa que foge a tudo isso. Ao mesmo tempo é o Deus e o Demônio, o melhor e o pior. especial, desprezível, encantador, suicida, tranquilizante. O algo que todos procuram, o sentimento mais nobre e mais cruel, o santo graal da vida cotidiana. Geralmente atribuído a um ser que veste essa túnica e torna-se o Deus vivo desse sentimento sublime.
No meu caso? Queria só o mais simples e rápido, esperando que esse efeito Kondratiev da vida cotidiana se resolva mais rapidamente. Infelizmente por fazer jus a palavra, devo pagar o preço disso comigo mesmo, principalmente quando dei minha palavra para um tempo indeterminado - sempre (?). Estou preso na queda da onda, na ruína.
Espero apenas conseguir um novo horizonte, um novo porto onde eu possa ancorar. Infelizmente o passado é um fantasma muito cruel, um cobrador bastante sério.
E no fim das contas? Só acho que essa história de karma é uma merda.
"Como pode ter sido ao mesmo tempo a melhor e a pior coisa que me aconteceu?"
domingo, 12 de maio de 2013
Dostoiévski e o sistema carcerário
Fico de fato alegre ao descobrir um projeto maravilhoso por parte do juiz Márcio Umberto Bragaglia chamado "Reeducação do Imaginário", onde os presos que conseguirem ler e fazer uma profunda reflexão de obras clássicas da humanidade terão redução de pena. Fico bastante contente em saber que existem pessoas no sistema carcerário que apoiam de fato a reabilitação do presidiário, e não uma piora em sua conduta.
O primeiro módulo do projeto conta com a leitura de uma obra belíssima de Fiódor Dostoiévski chamada "Crime e Castigo", que trata exatamente da condição que os presos estão vivendo. A história mostra a vida de um rapaz que após cometer um assassinato, se mostra inconscientemente arrependido, assim, deixando pistas sobre o seu crime ao investigador do caso sem notar, ou seja, suas ações o denunciam mesmo quando ele pensa em driblar as investigações. No desenrolar da história o rapaz acaba preso onde encontrará a si mesmo e a reconstrução do seu caráter.
A ideia surgiu depois de uma aula que o juiz Márcio teve com o filósofo Olavo de Carvalho, professor do Seminário de Filosofia. Apesar da iniciativa ser extremamente saudável ao nosso sistema carcerário defasado, o projeto inicialmente será aplicado apenas em Joaçaba no oeste de Santa Catarina.
Espero de coração que esse projeto tenha algum rendimento e que seja rapidamente implantado em outras prisões e complexos penais. Apesar de não tirar o peso das costas de um presidiário por suas ações, é uma realidade muita dura que deve ser enfrentada dentro dos complexos de correção, principalmente no Brasil. Essa iniciativa além da redução de pena - que eu trato inclusive como um mero incentivo a adesão ao projeto tendo em vista a verdadeira recompensa moral a ser obtida - existe de fato a chance da reeducação do caráter e uma real redenção do sujeito, através de obras de renome, que incentivam a reeducação do imaginário pela leituras que apresentam experiências humanas sobre a responsabilidade pessoal, os valores morais e a redenção pelo arrependimento sincero e a reconstrução do caráter.
quinta-feira, 9 de maio de 2013
Ta frio demais
"Talvez eu não precise disso tudo
Por hora só preciso descansar
Entre tamanha tristeza
Regado a uma esnobe gentileza
Estou condenado a ficar
Só me resta um pouco de esmola
Agrado aqui, carinho ali
Mas tudo da boca pra fora
Pois banhado com tanta ternura
Está mesmo cavando a sepultura
Prestes a me enterrar
Sempre desejei o inverno
Vento frio, clima ameno
Como num teatro eterno
Só que no frio intenso
A companhia de lenço
Seria de Dante o inferno"
- Paulo Medeiros
Por hora só preciso descansar
Entre tamanha tristeza
Regado a uma esnobe gentileza
Estou condenado a ficar
Só me resta um pouco de esmola
Agrado aqui, carinho ali
Mas tudo da boca pra fora
Pois banhado com tanta ternura
Está mesmo cavando a sepultura
Prestes a me enterrar
Sempre desejei o inverno
Vento frio, clima ameno
Como num teatro eterno
Só que no frio intenso
A companhia de lenço
Seria de Dante o inferno"
- Paulo Medeiros
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Valor Subjetivo Humano
Aprendi uma coisa muita interessante no meu curso de economia: como classificar o valor das coisas. A gente aprende que o preço é determinado a partir de diversas variáveis: disponibilidade do produto, custo dos insumos, custo de mão-de-obra, demanda pelo bem e outras mais. Mas, a variável que mais me deixa de certa forma intrigado é a variável que não podemos de forma alguma calcular matematicamente: o valor subjetivo. Isso mesmo, o valor que cada um da em especial a um produto partindo de sua perspectiva pessoal. Digamos que João demanda um violão de marca X e está disposto a pagar 100R$ pelo violão. Já Maria está disposta a pagar pelo mesmo violão um valor de 200R$, tudo pela sua vontade de satisfazer seu desejo de possuir tal bem. É fácil observar que apesar de ser o mesmo violão, Maria está disposta a pagar o dobro. Por qual motivo? A resposta se encontra na vontade de cada um de obter um determinado bem, no caso, o quanto você está disposto a abrir mão para obter aquilo.
Não somente na economia dos produtos que tanto estudo, posso observar que podemos atribuir valores de forma similar a coisas que estão fora da gama de bens de consumo ou serviços. Não que eu queira materializar coisas "humanas", mas, apenas devo admitir que a mecânica é bastante similar.
O desejo de pagar mais, ou seja, o valor pessoal aplicado aos bens remete também por exemplo as pessoas. É engraçado como pessoas sofrem do mesmo fenômeno da satisfação marginal do consumidor, por exemplo: a tendência de um relacionamento - amoroso ou não, mas, mais notório no amoroso - será sempre o desgaste inverso ao tempo, ou seja, você terá um tendência a se preocupar menos e fazer cada vez menos sacrifícios pela relação, a menos que uma inovação seja lançada, "rebobinando" a sua satisfação em estar com aquela pessoa. Seria quase como o lançamento de uma nova versão do produto, uma atualização que o mercado oferece para você consumir novamente um bem, e assim ter a chance de sentir-se satisfeito com um mesmo produto.
Uma premissa básica econômica também se faz presente nas relações humanas: a escassez. Constantemente ficamos sabendo de alguma história narrada por um terceiro que sempre enfatiza: "só deu valor quando perdeu", então me pergunto: poxa, será mesmo que a coisa funciona sempre assim? As pessoas aprendem o valor real das coisas com sua perda? *Particularmente eu acho que é exatamente assim que funciona.*
Todas as premissas básicas da teoria microeconômica que tem como base a relação dos agentes de mercado entre si parecem curiosamente mostrar uma conexão com os seres humanos em suas relações interpessoais. Isso remete ao assunto do violão do começo do texto: será que você por mais legal que seja tem o mesmo valor subjetivo para todas as pessoas, ou seja, todos te acham legal da mesma forma? Será que o valor real de cada pessoa aumenta em sua ausência similarmente a teoria da escassez? Ou talvez a maior prova de tal conexão seja a nossa capacidade de atribuir valor as pessoas de acordo com seus insumos, ou seja, o que possuem?
Tudo isso parece uma loucura de quem anda vendo números demais, mas, acho que isso revela a minha viés para a economia comportamental. Quem sabe eu apenas tento racionalizar o que deveria ser deixado para as emoções?
A única coisa que tenho certeza é que Alfred Marshall¹ estava a pensar em pessoas quando formulou sua teoria de análise microeconômica, afinal, são poucos os economistas que conseguem enxergar as pessoas que estão por trás das equações e modelos econométricos.
Mas afinal de contas, poderia eu traçar um gráfico mostrando o fracasso progressivo da minha vida emocional ou não?! Acho que daqui pro fim do curso eu consigo descobrir.
Alfred Marshall foi um economista inglês pai do modelo de análise microeconômica, o qual visava estudar a relação dos agentes de mercado individualmente, ao invés de observar o mercado como um todo.
Não somente na economia dos produtos que tanto estudo, posso observar que podemos atribuir valores de forma similar a coisas que estão fora da gama de bens de consumo ou serviços. Não que eu queira materializar coisas "humanas", mas, apenas devo admitir que a mecânica é bastante similar.
O desejo de pagar mais, ou seja, o valor pessoal aplicado aos bens remete também por exemplo as pessoas. É engraçado como pessoas sofrem do mesmo fenômeno da satisfação marginal do consumidor, por exemplo: a tendência de um relacionamento - amoroso ou não, mas, mais notório no amoroso - será sempre o desgaste inverso ao tempo, ou seja, você terá um tendência a se preocupar menos e fazer cada vez menos sacrifícios pela relação, a menos que uma inovação seja lançada, "rebobinando" a sua satisfação em estar com aquela pessoa. Seria quase como o lançamento de uma nova versão do produto, uma atualização que o mercado oferece para você consumir novamente um bem, e assim ter a chance de sentir-se satisfeito com um mesmo produto.
Uma premissa básica econômica também se faz presente nas relações humanas: a escassez. Constantemente ficamos sabendo de alguma história narrada por um terceiro que sempre enfatiza: "só deu valor quando perdeu", então me pergunto: poxa, será mesmo que a coisa funciona sempre assim? As pessoas aprendem o valor real das coisas com sua perda? *Particularmente eu acho que é exatamente assim que funciona.*
Todas as premissas básicas da teoria microeconômica que tem como base a relação dos agentes de mercado entre si parecem curiosamente mostrar uma conexão com os seres humanos em suas relações interpessoais. Isso remete ao assunto do violão do começo do texto: será que você por mais legal que seja tem o mesmo valor subjetivo para todas as pessoas, ou seja, todos te acham legal da mesma forma? Será que o valor real de cada pessoa aumenta em sua ausência similarmente a teoria da escassez? Ou talvez a maior prova de tal conexão seja a nossa capacidade de atribuir valor as pessoas de acordo com seus insumos, ou seja, o que possuem?
Tudo isso parece uma loucura de quem anda vendo números demais, mas, acho que isso revela a minha viés para a economia comportamental. Quem sabe eu apenas tento racionalizar o que deveria ser deixado para as emoções?
A única coisa que tenho certeza é que Alfred Marshall¹ estava a pensar em pessoas quando formulou sua teoria de análise microeconômica, afinal, são poucos os economistas que conseguem enxergar as pessoas que estão por trás das equações e modelos econométricos.
Mas afinal de contas, poderia eu traçar um gráfico mostrando o fracasso progressivo da minha vida emocional ou não?! Acho que daqui pro fim do curso eu consigo descobrir.
Alfred Marshall foi um economista inglês pai do modelo de análise microeconômica, o qual visava estudar a relação dos agentes de mercado individualmente, ao invés de observar o mercado como um todo.
domingo, 21 de abril de 2013
A tocante história de Keanu Reeves
Keanu Reeves ficou muito conhecido em todo o mundo por seus diversos papéis em filmes importantes, tais como, Matrix, Constantine, Velocidade Máxima e muitos outros, mas apesar de todo o sucesso sua vida é bem diferente das outras estrelas de Hollywood.
Ele vem de uma família muito problemática. Quando tinha apenas 12 anos seu pai foi preso, sua mãe para conseguir pagar as contas era stripper. Durante a juventude ele viu sua namorada morrer em um acidente de carro, pouco antes deles se casarem. Antes disso ela também tinha perdido um filho dos dois. Por esse motivo Keanu sempre foge de relacionamentos sérios.
Todas essas experiências o transformaram em um artista diferente. Ao contrário de todas as estrelas do cinema, ele não possui nenhuma mansão e sempre diz: “Eu vivo em um pequeno apartamento, lá eu tenho tudo que eu preciso o tempo todo. Por que eu escolheria uma grande casa vazia?”
Depois de adulto ele ainda teve muitos outros problemas. Seu melhor amigo morreu, logo em seguida seu pai foi preso de novo e sua irmã diagnosticada com leucemia, que felizmente foi curada. Por isso ele doou 70% de tudo que ganhou com Matrix para hospitais que tratam essa doença.
É muito normal o ver andando de metro pela cidade de Nova York.
Em um de seus aniversários, ele estava sozinho e foi até uma loja de doces, comprou um bolo e sentou-se ali perto para comer. Cada vez que um fã parava e conversava com ele, Keanu dividia um pedaço de seu bolo.
Ele não sai com seguranças e nunca usa roupas caras. Quando perguntam para ele se é triste, ele simplesmente responde: "Você precisa ser feliz para viver, eu não."
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Mirror, Mirror?
Dizem que a nossa aparência seria o nosso cartão de visita, uma espécie de janela para quem realmente somos. Todos nos observam de uma maneira extremamente cautelosa em nossos primeiros encontros, fazendo aquele olhar de "scanner" dos pés a cabeça - quase sempre torcendo os lábios e levantando a sobrancelha exibindo um certo nojo. Todos costumam seguir isso a risca: barba bem feita, cabelos bem cortados e penteados. Camisa amassada? Jamais! Seguimos todos um certo padrão social que nos força a seguir a risca certos "ritos sociais", principalmente nas ocasiões que chamamos de "oportunidade de ouro". Entrevista de emprego, encontro amoroso, reunião familiar... Tantas ocasiões em que você de fato não deseja ser taxado como a "ovelha negra" por simplesmente não estar usando linho. Caráter é segundo plano, sempre a "beca" vai dar a primeira cartada em uma relação social, você querendo isso ou não.
Eu mesmo tenho o costume de andar "A la Paul", ou seja, as vezes a primeira camisa amassada que encontro no armário para uma reunião de família, as vezes alinhado demais para ir comprar pão. Eu escolho o que vou vestir seja la pra onde eu vou. Algumas pessoas acham até "descolado" fazer esse tipo de coisa, mas, te julgariam na rua da mesma forma que os outros "normais". Qual a bola da vez? Apenas Saiba que existe uma linha com 2 extremidades: uma chamada liberdade individual e outra aceitação social. Alguns nos extremos, outros tentando rebolar entre as 2. Mas, acho que no fim das contas a gente não pode correr: sempre sua aparência que deveria ser o mínimo vai pesar como o máximo. Sabe qual o ponto positivo de ocupar a extremidade da liberdade? Você automaticamente expurga a maioria dos seres desinteressantes de perto de você - apesar de também jogar pra longe uma entrevista de emprego e também sua avó.
"Quem me julga pela a aparência perdeu, pois nunca me conhecerá!"
Eu mesmo tenho o costume de andar "A la Paul", ou seja, as vezes a primeira camisa amassada que encontro no armário para uma reunião de família, as vezes alinhado demais para ir comprar pão. Eu escolho o que vou vestir seja la pra onde eu vou. Algumas pessoas acham até "descolado" fazer esse tipo de coisa, mas, te julgariam na rua da mesma forma que os outros "normais". Qual a bola da vez? Apenas Saiba que existe uma linha com 2 extremidades: uma chamada liberdade individual e outra aceitação social. Alguns nos extremos, outros tentando rebolar entre as 2. Mas, acho que no fim das contas a gente não pode correr: sempre sua aparência que deveria ser o mínimo vai pesar como o máximo. Sabe qual o ponto positivo de ocupar a extremidade da liberdade? Você automaticamente expurga a maioria dos seres desinteressantes de perto de você - apesar de também jogar pra longe uma entrevista de emprego e também sua avó.
"Quem me julga pela a aparência perdeu, pois nunca me conhecerá!"
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Paradoxo
“Se o sentido mais próximo e imediato de nossa vida não é o sofrimento, nossa existência é o maior contra-senso do mundo. Pois constitui um absurdo supor que a dor infinita, originária da necessidade essencial à vida, de que o mundo está pleno, é sem sentido e puramente acidental. Nossa receptividade para a dor é quase infinita (...). Embora toda infelicidade individual apareça como exceção, a infelicidade em geral constitui a regra” (Arthur Schopenhauer – Contribuições à doutrina do sofrimento do mundo - § 148).
Depois da afirmação acima vocês podem estar imaginando que este mosqueteiro que vos fala está sofrendo de uma baita dor-de-cotovelo, daquelas de deixar qualquer um arrasado, mas não é bem assim.
Pode até ser que Schopenhauer, ao dissertar sobre o assunto, estivesse com uma dor de corno daquelas. Ou talvez só estivesse doidão de ópio. Ou, ainda, só quisesse chocar o mundo com suas teorias. O certo é que ele não estava tão louco assim.
Ok, ok. Vamos aos argumentos que possam comprovar tal teoria.
Quem nunca sentiu o peito queimar, o corpo arrepiar, a cabeça pesada, tudo originado por um sofrimento prévio, e mesmo identificando e reconhecendo isso não quis reagir, que atire a primeira pedra. Sim, meus queridos, há quem realmente goste de sofrer, e isso não é raro.
Na verdade, dor e prazer são sentimentos tão próximos, separados por uma linha tão tênue, que muitas vezes acabam por se confundir. Pode parecer um paradoxo, mas muitas das sensações de prazer que sentimos são originárias de um sofrimento prévio. Arriscaria-me a dizer que, para alguns, o prazer é a conseqüência da dor.
Senão, vejamos.
O que levaria tanta gente a práticas sexuais tais como o sadomasoquismo? Não me ocorre outra coisa senão o fato de que, mesmo na dor (e por mais intensa que seja) há uma certa aprazia.
-Cacete, mosqueteiro, então a maioria das pessoas, na verdade, gosta de sofrer?
Não, meus queridos, não foi o que eu disse. Só disse que, para algumas pessoas, a dor causa um sentimento de satisfação diferente, que acaba se confundindo com o prazer.
Vejamos outro exemplo.
O orgasmo, uma das maiores sensações de prazer que o indivíduo pode experimentar, origina-se de impulsos que, em outras circunstâncias, o organismo entenderia como dor. E é exatamente assim que o orgasmo pode ser classificado. Como microimpulsos de dor, adaptados por nós mesmos (de forma física e psicológica) como sensação de prazer. E eu nem vou entrar no mérito dos que gostam de apanhar (e bater) na hora de “descabelar o palhaço”.
De fato, vários filósofos, psiquiatras, médicos e especialistas das mais diferentes áreas já estudaram e discorreram sobre o fenômeno aqui retratado. Um dos que mais me chamou a atenção foi Jeremy Bentham. Ele dizia ser o “homem um ser que busca o prazer, fugindo da dor”. Talvez. Mas e aqueles que, inadvertidamente, procuram a dor? Seriam “anormais”? Duvido muito.
Analisando friamente, há que se concluir que o homem é um ser que busca transformar a dor em prazer.
Diante de tudo isso, o que se pode concluir é que cultivar (e até mesmo buscar) certos “sofrimentos” não é de todo mal, desde que se tente retirar prazer de tudo o que, em outro contexto, possa fazer mal. Isto é, a dor na dose certa pode até fazer bem.
Agora, se você é daqueles que goza até com martelada no dedo, então é melhor buscar ajuda psiquiátrica urgente, porque seu problema é sério.
Fraternais Abraços.
Porthus.
Retirado de "Blog do Herege".
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Utopia distópica
"Tantas flores se mostram
Com uma beleza fenomenal
Mas apesar da formosura
As vezes com tamanha ternura
Cheiram de forma banal
Tantas rosas aparecem
Com espinhos e tamanha vida
Com uma intensidade de cor
Provocando-me um ardor
Apenas é atrevida
Entre flores e rosas
Apenas desejo o que não posso
Sentir das flores tamanho amor
Das rosas o enorme vigor
Em um perfume um tanto exótico
No meu jardim sem vida
Morreu a mais bela flor
Que ainda vivesse como rosa
Era uma flor esplendorosa
Que não aguentou tamanha dor"
- Paulo Medeiros
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Patrulha Ideológica
Alguns temas com bastante foco na atualidade que variam da causa gay ao aborto promovem debates sem fim, seja em ambiente acadêmico ou até mesmo em uma mesa de boteco. O que me deixa um pouco indagado é que nunca conseguimos ouvir alguém se pronunciar dentro de qualquer desses assuntos polêmicos de maneira sensata, ou seja, você é obrigado a defender com unhas e dentes o que seu circulo social defende, mesmo que você não tenha a mínima capacidade de argumentar sobre o assunto. Se fosse só isso era até bom, o problema é quando as pessoas realmente começam a viver um personagem que domina o assunto e merecia palanque em conferência nacional do assunto, mas, com um único detalhe: sem nenhum conhecimento prévio de tudo aquilo que está defendendo, afinal, vale tudo pelo alpinismo social. Assumindo esse personagem um tanto "sabido", torna-se instantâneo o envolvimento dentro do tema em qualquer conversa - inclusive de pessoas desconhecidas.
A "ideia" é solidificada na cabeça desses indivíduos de uma maneira que é de fato inútil argumentar, levando o que deveria ser uma discussão a um nível que remete conversar utilizando proteção auricular. Soltam farpas e xingamentos de uma maneira quase que "automática" quando percebem no seu radar uma opinião que confronte a sua - independente da argumentação usada. Não estamos falando de acadêmicos ou bem instruídos no assunto, e sim de pessoas que servem como fantoches de movimentos específicos, os famosos peões do movimento. Dispostos sempre a levar um tiro pela causa enquanto os reais pensadores abananam o fogo de longe, estes são os patrulheiros ideológicos que habitam a sociedade.
Não é permitido agir diferente, falar diferente ou até mesmo pensar diferente. Caso alguma opinião adversa seja lançada, sempre haverá um patrulheiro infiltrado pronto para defender o politicamente correto, no caso, correto para ele.
"Liberdade de expressão apenas para a minha própria expressão"
A "ideia" é solidificada na cabeça desses indivíduos de uma maneira que é de fato inútil argumentar, levando o que deveria ser uma discussão a um nível que remete conversar utilizando proteção auricular. Soltam farpas e xingamentos de uma maneira quase que "automática" quando percebem no seu radar uma opinião que confronte a sua - independente da argumentação usada. Não estamos falando de acadêmicos ou bem instruídos no assunto, e sim de pessoas que servem como fantoches de movimentos específicos, os famosos peões do movimento. Dispostos sempre a levar um tiro pela causa enquanto os reais pensadores abananam o fogo de longe, estes são os patrulheiros ideológicos que habitam a sociedade.
Não é permitido agir diferente, falar diferente ou até mesmo pensar diferente. Caso alguma opinião adversa seja lançada, sempre haverá um patrulheiro infiltrado pronto para defender o politicamente correto, no caso, correto para ele.
"Liberdade de expressão apenas para a minha própria expressão"
sábado, 30 de março de 2013
4 letras meio amargo
"O frio sempre cúmplice
Da enorme dúvida presente
Se a verdade justiceira prevalece
Ou se banha na mentira complacente
Se um sorriso mostra a dúvida
Do que esconde ou aparece
Vem como uma enorme fineza
Disfarçado com gentileza
O que realmente apodrece
Como uma máscara teatral
Esconde a emoção de quem a usa
Do seu amor celestial
Surge a cadente banal
De algo que lhe acusa
Eis que a água virou vinho
A dor já despertou
E agora que está cansado
As lembranças do passado
Foi tudo que lhe restou"
- Paulo Medeiros
sexta-feira, 29 de março de 2013
A lenda da revolução
Semana passada ouvi uma conversa interessante dentro do ônibus a caminho da faculdade. O diálogo se passava entre 2 rapazes que aparentemente se deslocavam do trabalho para suas respectivas casas. Um dos rapazes com um tom de extrema indignação comentava a respeito da situação atual da nossa política do Gerson¹, onde ele achava um absurdo o fato de que um político apesar de receber um salário exorbitante, tem a "ousadia" de aceitar propina ou desviar dinheiro público. Achei até interessante observar que nos dias atuais as pessoas possuem um certo "senso crítico" em relação a política que antes era tido como tabu. Até aí tudo bem, mas, a coisa começa a ficar um tanto "confusa" quando os rapazes pulam para a próxima pauta de sua conversa.
Depois de um certo tempo de percurso o mesmo rapaz indignado começa uma nova conversa com seu colega, tratando de como ele ficou contente com a "sorte" que lhe abençoava com 5,00R$ que recebeu de troco por engano do cobrador do ônibus. Falava que isso era algo comum e que ele merecia, já que a passagem custa tão caro por um serviço medíocre. Não discordo do rapaz sobre o serviço caro e medíocre, mas, será que isso não entra em choque com seu discurso sobre honestidade?!
Existem 2 coisas paradoxais que são bastante fáceis de se ouvir no Brasil de um mesmo sujeito: "político ladrão" e "me dei bem". Todos falam sobre uma mudança radical na política, fazem marchas e protestos pedindo a substituição dos atuais governantes por representantes do povo, os quais irão agir quase como Jesus Cristo em prol dos pobres e necessitados. Clamam uma revolução política esquecendo um pequeno detalhe: a capacidade do brasileiro de "sair por cima" onde quer que ele esteja.
Os que lutam por um Brasil melhor devem atentar para uma evolução pessoal antes de preparar seus coquetéis molotov e suas faixas de protesto. Devem lembrar que a política do futuro é feita com as pessoas do presente. Esse episódio revolucionário foi visto várias e várias vezes na história política do país onde sempre um governo que usurpava o trono do anterior conseguia agir com maior má-fé que o anterior, independente de postura ideológica regida por tal partido. De Collor a Lula as falcatruas sempre estiveram presentes mostrando que uma revolução sem evolução do povo e da própria cultura nacional de nada vale, de nada conta. Cada um deve ter a consciência de que a política e feita de pessoas e ações, esquecendo o mito do "é culpa do sistema". Enquanto o Brasil não der um jeito no seu modus operandi de levar vantagem, não haverá revolução que dê jeito na corrupção.
"Casa de ferreiro, espeto de pau".
Gerson¹: jogador de futebol que ficou famoso por um comercial de TV que dava ênfase a levar vantagem em cima de desavisados. Também protagonista da famosa "Lei do Gerson", expressão bastante famosa para designar quem tenta obter vantagem de forma desonrosa.
Gerson¹: jogador de futebol que ficou famoso por um comercial de TV que dava ênfase a levar vantagem em cima de desavisados. Também protagonista da famosa "Lei do Gerson", expressão bastante famosa para designar quem tenta obter vantagem de forma desonrosa.
Nunca
"Será que o amanhã pode sorrir?
Indo de um lado ao outro?
Nada mais vai contar
Totalmente relaxado
Onde a alegria não tem hora
Sei que tudo pode ser complicado
Uma brisa indecente
Acariciando o seu profundo
Faz querer um novo dia
Atrás do que se foi
Levando em conta o erro
Trazendo de volta o apelo
Amansando o coração."
- Paulo Medeiros
terça-feira, 26 de março de 2013
Altruísmo egoísta?
As vezes me pego tentando emplacar uma definição prática do que seria o altruísmo. Seria aquele momento em que você da uma esmola na rua ou algo do gênero? Talvez o buraco seja mais fundo do que possamos imaginar.
Pessoas diariamente pedem por um mundo mais companheiro, mais amoroso, mais humano. Então eu me pergunto: será que estamos realmente clamando por um altruísmo real e salvador? Uma ação totalmente livre de retorno? Então que começo a raciocinar a cerca de tudo. Quando estamos em um relacionamento tentando amar alguém é obvio que você precisa receber amor de volta, ou seja, uma troca. Quando estamos dando uma esmola para um mendigo na rua, será que não fazemos isso de uma certa forma para aliviar o "peso" que temos na consciência de desfrutar de um certo conforto enquanto o cara não tem a certeza do almoço no dia seguinte? Ou talvez o desejo de ter um filho que é tão aclamado como amor verdadeiro não seja apenas um modo de se esquivar da solidão na velhice ou talvez continuar a espalhar o seu legado no mundo? A cada tentativa de encontrar uma ação verdadeiramente altruísta você percebe que existe uma troca escondida nos bastidores da sua mente, onde a atitude aparentemente caridosa está pagando um preço subconsciente - as vezes até mesmo consciente - de algo que te consome por dentro.
Essa é a questão: Existe uma atitude 100% altruísta ou tudo não passa de uma ilusão caridosa para um egoísmo oculto?
"Não sente-se bem por fazer o bem, faz o bem pois sente-se bem".
Pessoas diariamente pedem por um mundo mais companheiro, mais amoroso, mais humano. Então eu me pergunto: será que estamos realmente clamando por um altruísmo real e salvador? Uma ação totalmente livre de retorno? Então que começo a raciocinar a cerca de tudo. Quando estamos em um relacionamento tentando amar alguém é obvio que você precisa receber amor de volta, ou seja, uma troca. Quando estamos dando uma esmola para um mendigo na rua, será que não fazemos isso de uma certa forma para aliviar o "peso" que temos na consciência de desfrutar de um certo conforto enquanto o cara não tem a certeza do almoço no dia seguinte? Ou talvez o desejo de ter um filho que é tão aclamado como amor verdadeiro não seja apenas um modo de se esquivar da solidão na velhice ou talvez continuar a espalhar o seu legado no mundo? A cada tentativa de encontrar uma ação verdadeiramente altruísta você percebe que existe uma troca escondida nos bastidores da sua mente, onde a atitude aparentemente caridosa está pagando um preço subconsciente - as vezes até mesmo consciente - de algo que te consome por dentro.
Essa é a questão: Existe uma atitude 100% altruísta ou tudo não passa de uma ilusão caridosa para um egoísmo oculto?
"Não sente-se bem por fazer o bem, faz o bem pois sente-se bem".
Assinar:
Comentários (Atom)