quarta-feira, 24 de abril de 2013

Valor Subjetivo Humano

 Aprendi uma coisa muita interessante no meu curso de economia: como classificar o valor das coisas. A gente aprende que o preço é determinado a partir de diversas variáveis: disponibilidade do produto, custo dos insumos, custo de mão-de-obra, demanda pelo bem e outras mais. Mas, a variável que mais me deixa de certa forma intrigado é a variável que não podemos de forma alguma calcular matematicamente: o valor subjetivo. Isso mesmo, o valor que cada um da em especial a um produto partindo de sua perspectiva pessoal. Digamos que João demanda um violão de marca X e está disposto a pagar 100R$ pelo violão. Já Maria está disposta a pagar pelo mesmo violão um valor de 200R$, tudo pela sua vontade de satisfazer seu desejo de possuir tal bem. É fácil observar que apesar de ser o mesmo violão, Maria está disposta a pagar o dobro. Por qual motivo? A resposta se encontra na vontade de cada um de obter um determinado bem, no caso, o quanto você está disposto a abrir mão para obter aquilo.
 Não somente na economia dos produtos que tanto estudo, posso observar que podemos atribuir valores de forma similar a coisas que estão fora da gama de bens de consumo ou serviços. Não que eu queira materializar coisas "humanas", mas, apenas devo admitir que a mecânica é bastante similar.
 O desejo de pagar mais, ou seja, o valor pessoal aplicado aos bens remete também por exemplo as pessoas. É engraçado como pessoas sofrem do mesmo fenômeno da satisfação marginal do consumidor, por exemplo: a tendência de um relacionamento - amoroso ou não, mas, mais notório no amoroso - será sempre o desgaste inverso ao tempo, ou seja, você terá um tendência a se preocupar menos e fazer cada vez menos sacrifícios pela relação, a menos que uma inovação seja lançada, "rebobinando" a sua satisfação em estar com aquela pessoa. Seria quase como o lançamento de uma nova versão do produto, uma atualização que o mercado oferece para você consumir novamente um bem, e assim ter a chance de sentir-se satisfeito com um mesmo produto.
 Uma premissa básica econômica também se faz presente nas relações humanas: a escassez. Constantemente ficamos sabendo de alguma história narrada por um terceiro que sempre enfatiza: "só deu valor quando perdeu", então me pergunto: poxa, será mesmo que a coisa funciona sempre assim? As pessoas aprendem o valor real das coisas com sua perda? *Particularmente eu acho que é exatamente assim que funciona.*
 Todas as premissas básicas da teoria microeconômica que tem como base a relação dos agentes de mercado entre si parecem curiosamente mostrar uma conexão com os seres humanos em suas relações interpessoais. Isso remete ao assunto do violão do começo do texto: será que você por mais legal que seja tem o mesmo valor subjetivo para todas as pessoas, ou seja, todos te acham legal da mesma forma? Será que o valor real de cada pessoa aumenta em sua ausência similarmente a teoria da escassez? Ou talvez a maior prova de tal conexão seja a nossa capacidade de atribuir valor as pessoas de acordo com seus insumos, ou seja, o que possuem?
 Tudo isso parece uma loucura de quem anda vendo números demais, mas, acho que isso revela a minha viés para a economia comportamental. Quem sabe eu apenas tento racionalizar o que deveria ser deixado para as emoções?
 A única coisa que tenho certeza é que Alfred Marshall¹ estava a pensar em pessoas quando formulou sua teoria de análise microeconômica, afinal, são poucos os economistas que conseguem enxergar as pessoas que estão por trás das equações e modelos econométricos.
 Mas afinal de contas, poderia eu traçar um gráfico mostrando o fracasso progressivo da minha vida emocional ou não?! Acho que daqui pro fim do curso eu consigo descobrir.


Alfred Marshall foi um economista inglês pai do modelo de análise microeconômica, o qual visava estudar a relação dos agentes de mercado individualmente, ao invés de observar o mercado como um todo.

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