Durante toda a vida somos obrigados a realizar escolhas, as vezes boas, as vezes ruins, mas que não podemos fugir. Até mesmo pequenas escolhas nos empurram para um fluxograma de ilimitadas variáveis, mostrando que até mesmo um mínimo ato de educação pode refletir em uma imensa cadeia de acontecimentos na vida de diversos indivíduos.
A bola da vez hoje em dia é falar que "gentileza gera gentileza", que desejar um bom dia ou pedir licença vai gerar uma cadeia de boas ações na vida de outros indivíduos. O que as pessoas parecem esquecer é que sacanagem gera sacanagem. Não conseguem segurar a língua na hora do menor desconforto, as vezes o fazendo por puro esporte. Parece até bobagem, mas, algumas pessoas conseguem ter seu dia arruinado por uma simples frase, ainda mais quando a "navalhada" sai da boca certa.
Por mais que você se encaixe no perfil do sujeito que não liga para muita coisa, sempre vai haver um alguém com o poder de te arrasar com meia dúzia de palavras. A parte "engraçada" da coisa é que o sujeito blindado sempre sofre mais, apesar de geralmente não se importar com esse tipo de coisa. Vai ver sofre mais pela falta de calos e condicionamento ao sofrimento. O sujeito blindado aparenta não se importar com ninguém, tenta não cultivar muitas amizades e está sempre morno, sempre a coisa está no tanto faz. Observa atitudes alheias que deveriam lhe causar tristeza, angustia e mágoa, mas ele se resume a continuar andando e fixar-se em seus afazeres. O típico camarada que não liga para as brincadeiras de mau gosto e que segue reto quando alguém lhe ofende. O rapaz que prefere passar reto, não se importar e não achar graça.
Até que um dia acontece algo que o deixa maleável, algo que consegue tirar a armadura emocional do sujeito. Ele passa a ver as coisas de modo diferente, passa a achar que aquela onda de monotonia vai embora, acha que a vida agora tem sal. Passa a prestar atenção naquelas arvores que antes pareciam não ter a menor graça, os pássaros que antes só irritavam com o estúpido canto parecem agradar de alguma forma, até mesmo as letras daquela banda melosa parecem mostrar algum tipo de sentido. O dia tem cor, o pensamento passa a estar carregado de "positividade, então o sujeito sente-se bem para falar com todos e passa as noites em claro, pensando com o que o futuro pode vir a lhe brindar.
Até que um dia a menor quebra de expectativa faz o sujeito cair no fundo do poço. Lamenta ao máximo toda sua ingenuidade para com aquilo que sempre foi indiferente, querendo formular uma maneira que explique o que fez um sujeito até então rígido emocionalmente cair em uma armadilha como essa. Até mesmo passa a ficar impressionado como que em um curto espaço de tempo a felicidade pode vir e ir, de modo a se valer de toda aquela porcaria que a TV te faz engolir sobre amor e realização pessoal. Ele se olha no espelho e fala em voz alta: "você é a pessoa mais idiota que eu já conheci".
Então surge o dilema que o obriga a continuar sendo "idiota" ou adquirir mais amor próprio, que na verdade é um código para uma blindagem mais árdua e cruel que só vai tornar sua vida ainda mais indiferente que antes. Agora o sujeito parece ter um motivo sólido e concreto para achar que a sinceridade é o ouro dos tolos, de ter em sua cabeça que a indiferença emocional é o melhor caminho para o sucesso dos seus objetivos.
No fim das contas sacanagem gera sacanagem, e agora o sujeitinho vai descontar isso tudo na próxima pessoa que tenta livrar-se da carapaça da indiferença, criando mais um indiferente e gelado coração a rondar pelas ruas em preto e branco.
Ou então o sujeito vai perceber que a felicidade não pode ser escolhida de forma autônoma, aprendendo que não se pode esquivar da tristeza sem perder a felicidade. Vai saber que as melhores coisas estão envolvidas nos maiores riscos, nas maiores atitudes. A real conquista está firmada na dificuldade e na superação das decepções. Vai ser o cara mais feliz do mundo quando a oportunidade bater em sua porta. Vai poder falar: "eu tinha tudo para desistir, mas resolvi viver e ser feliz".
Aposte alto, entregue-se, divirta-se! Viva sua vida dentro daquele clichê escroto de aproveitar os dias como se fossem os últimos! Faça tudo do seu jeito, sem mudar, sem mentir e alguma hora vai encontrar o que tanto procurou. Não procure saber o final com antecedência se pode aproveitar o hoje e ser feliz com o que está ao seu alcance.
E então, o que vai dizer ao espelho?! Você é o cara mais idiota que já conheci ou Você é o maior sortudo desse mundo?
domingo, 29 de setembro de 2013
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Algorítimo de validação do amor perfeito
Quando você se faz interessado em uma pessoa, é correto que siga os seguintes passos para não estragar tudo:
1 - Apesar de estar extremamente interessado, se faça de maluco e diga que não esta nem ai. Faça pinta de difícil e de que vai pensar no caso.
2 - Diga sempre coisas boas a seu respeito. Em falta? Inventa! O que vale nesse passo é mostrar o que você tem de bom, mesmo que a pessoa descubra na semana seguinte que você não é capitão do time de polo. Os defeitos a gente deixa pra depois, afinal, todo mundo erra.
3 - Apesar de ter muita vontade de ligar nunca faça isso. Mostra que você é um fodido e que tem vontade de ver a pessoa, afinal, o lance é parecer descolado e bad boy.
4 - Sempre que tiver prestes a ser cotado como cara bacana seja escroto. Seja grosso e rude, seja indiferente, um filho da puta.
5 - Nunca fale algo profundo, tampouco escreva poesia, afinal, poesia é coisa de viado.
6 - Dizer que sente saudades?! Bah! Apenas fale que não tinha nada melhor pra fazer e por isso ta encontrando a pessoa.
7 - Caso esteja ficando sem graça volte ao passo 4, afinal, o segredo é ser um filho da puta.
Segredo pra ser um rapaz descolado e bem cotado, que infelizmente, não me serve. Essa coisa de ser descolado nunca foi meu forte. Acho que eu prefiro alguém cafona, que saiba ouvir o contrario dessa lista e ainda assim achar graça em você. Tipo isso.
(:
1 - Apesar de estar extremamente interessado, se faça de maluco e diga que não esta nem ai. Faça pinta de difícil e de que vai pensar no caso.
2 - Diga sempre coisas boas a seu respeito. Em falta? Inventa! O que vale nesse passo é mostrar o que você tem de bom, mesmo que a pessoa descubra na semana seguinte que você não é capitão do time de polo. Os defeitos a gente deixa pra depois, afinal, todo mundo erra.
3 - Apesar de ter muita vontade de ligar nunca faça isso. Mostra que você é um fodido e que tem vontade de ver a pessoa, afinal, o lance é parecer descolado e bad boy.
4 - Sempre que tiver prestes a ser cotado como cara bacana seja escroto. Seja grosso e rude, seja indiferente, um filho da puta.
5 - Nunca fale algo profundo, tampouco escreva poesia, afinal, poesia é coisa de viado.
6 - Dizer que sente saudades?! Bah! Apenas fale que não tinha nada melhor pra fazer e por isso ta encontrando a pessoa.
7 - Caso esteja ficando sem graça volte ao passo 4, afinal, o segredo é ser um filho da puta.
Segredo pra ser um rapaz descolado e bem cotado, que infelizmente, não me serve. Essa coisa de ser descolado nunca foi meu forte. Acho que eu prefiro alguém cafona, que saiba ouvir o contrario dessa lista e ainda assim achar graça em você. Tipo isso.
(:
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Educação e narcotráfico no Rio de Janeiro
Estive refletindo esses dias sobre as letras de diversas músicas de funk, tentando analisar o que se passa na realidade dos garotos que cantam os famosos "proibidões", músicas com um alto teor de incentivo a criminalidade e aversão a policiais. Ouvi uma quantidade razoável de músicas, sempre prestando atenção na letra e tentando me colocar no lugar do autor da letra, para então, tentar compreender ao menos 1/100 daquela realidade.
As músicas geralmente não tem qualquer tipo de censura quanto a palavrões, apologia à violência, ao tráfico de drogas, a ostentação e ao apelo sexual. Quem encara esse tipo de letra de primeira vez não consegue enxergar nada além do simples esbanjar do "favelês" e da violência extrema, porém, o buraco é mais fundo do que se espera.
As crianças que nascem meio a realidade das favelas do Rio de Janeiro são condicionadas a uma realidade cruel e violenta, coisa que acompanhada de uma educação precária faz com que o incentivo ao conhecimento seja mínimo. Ser o "dono do morro" passa a ser o objetivo de vida de quem cresce dentro daquela atmosfera que para nós de fora aparenta ser de pura violência, mas para eles, a violência é apenas um detalhe. A emoção de ser um criminoso, um traficante, ou portar armas de fogo como forma de ostentação chega a ser um motivo de orgulho, de ser "o cara". A questão dos jovens enxergarem um futuro brilhante como um "mestre" do crime ao invés de uma vida como mestre em uma profissão qualquer.
A questão X seria: apenas o incentivo a educação que tanto é cobrado vai fazer com que o Joãozinho que nasce no Dendê queira mudar a sua realidade? Será que o garoto vai deixar de achar bonito posar para fotos com um fuzil AR-15 e uma pistola .40 presa no calção? Será que o simples fato da infra-estrutura das escolas melhorarem vai desmistificar a cabeça do garoto sobre a vida de ouro meio ao tráfico de drogas dentro das favelas?
Acho que o problema não está somente em reverter mais dinheiro para educação, mas, no modo que essa educação é feita. Depois de ouvir tantas músicas prestando atenção aos mínimos detalhes pude perceber que é uma questão de honra: crescer em meio ao tráfico, esbanjar das suas "dádivas" e morrer como "homem", coisa que na realidade das favelas consiste em morrer em meio as trocas de tiros contra a ação policial.
Na minha humilde opinião isso está longe de ser morrer como homem. Eu que sou um "homem de números" não tenho tantas sugestões para esse problema. Mas vocês que despendem tanto tempo estudando esse tipo de coisa, acham que a realidade pode ser transformada? Como?
"Na faixa de gaza eu sou homem bomba, na guerra é tudo ou nada".
*Agradecimentos a Neto Silva e Frederico Bezerra por me fazer despertar a curiosidade sobre o tema.
As músicas geralmente não tem qualquer tipo de censura quanto a palavrões, apologia à violência, ao tráfico de drogas, a ostentação e ao apelo sexual. Quem encara esse tipo de letra de primeira vez não consegue enxergar nada além do simples esbanjar do "favelês" e da violência extrema, porém, o buraco é mais fundo do que se espera.
As crianças que nascem meio a realidade das favelas do Rio de Janeiro são condicionadas a uma realidade cruel e violenta, coisa que acompanhada de uma educação precária faz com que o incentivo ao conhecimento seja mínimo. Ser o "dono do morro" passa a ser o objetivo de vida de quem cresce dentro daquela atmosfera que para nós de fora aparenta ser de pura violência, mas para eles, a violência é apenas um detalhe. A emoção de ser um criminoso, um traficante, ou portar armas de fogo como forma de ostentação chega a ser um motivo de orgulho, de ser "o cara". A questão dos jovens enxergarem um futuro brilhante como um "mestre" do crime ao invés de uma vida como mestre em uma profissão qualquer.
A questão X seria: apenas o incentivo a educação que tanto é cobrado vai fazer com que o Joãozinho que nasce no Dendê queira mudar a sua realidade? Será que o garoto vai deixar de achar bonito posar para fotos com um fuzil AR-15 e uma pistola .40 presa no calção? Será que o simples fato da infra-estrutura das escolas melhorarem vai desmistificar a cabeça do garoto sobre a vida de ouro meio ao tráfico de drogas dentro das favelas?
Acho que o problema não está somente em reverter mais dinheiro para educação, mas, no modo que essa educação é feita. Depois de ouvir tantas músicas prestando atenção aos mínimos detalhes pude perceber que é uma questão de honra: crescer em meio ao tráfico, esbanjar das suas "dádivas" e morrer como "homem", coisa que na realidade das favelas consiste em morrer em meio as trocas de tiros contra a ação policial.
Na minha humilde opinião isso está longe de ser morrer como homem. Eu que sou um "homem de números" não tenho tantas sugestões para esse problema. Mas vocês que despendem tanto tempo estudando esse tipo de coisa, acham que a realidade pode ser transformada? Como?
"Na faixa de gaza eu sou homem bomba, na guerra é tudo ou nada".
*Agradecimentos a Neto Silva e Frederico Bezerra por me fazer despertar a curiosidade sobre o tema.
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