sábado, 30 de março de 2013

4 letras meio amargo

"O frio sempre cúmplice
 Da enorme dúvida presente
 Se a verdade justiceira prevalece
 Ou se banha na mentira complacente

 Se um sorriso mostra a dúvida
 Do que esconde ou aparece
 Vem como uma enorme fineza
 Disfarçado com gentileza
 O que realmente apodrece

 Como uma máscara teatral
 Esconde a emoção de quem a usa
 Do seu amor celestial
 Surge a cadente banal
 De algo que lhe acusa

 Eis que a água virou vinho
 A dor já despertou
 E agora que está cansado
 As lembranças do passado
 Foi tudo que lhe restou"

- Paulo Medeiros




sexta-feira, 29 de março de 2013

A lenda da revolução

 Semana passada ouvi uma conversa interessante dentro do ônibus a caminho da faculdade. O diálogo se passava entre 2 rapazes que aparentemente se deslocavam do trabalho para suas respectivas casas. Um dos rapazes com um tom de extrema indignação comentava a respeito da situação atual da nossa política do Gerson¹, onde ele achava um absurdo o fato de que um político apesar de receber um salário exorbitante, tem a "ousadia" de aceitar propina ou desviar dinheiro público. Achei até interessante observar que nos dias atuais as pessoas possuem um certo "senso crítico" em relação a política que antes era tido como tabu. Até aí tudo bem, mas, a coisa começa a ficar um tanto "confusa" quando os rapazes pulam para a próxima pauta de sua conversa.
 Depois de um certo tempo de percurso o mesmo rapaz indignado começa uma nova conversa com seu colega, tratando de como ele ficou contente com a "sorte" que lhe abençoava com 5,00R$ que recebeu de troco por engano do cobrador do ônibus. Falava que isso era algo comum e que ele merecia, já que a passagem custa tão caro por um serviço medíocre. Não discordo do rapaz sobre o serviço caro e medíocre, mas, será que isso não entra em choque com seu discurso sobre honestidade?!
 Existem 2 coisas paradoxais que são bastante fáceis de se ouvir no Brasil de um mesmo sujeito: "político ladrão" e "me dei bem". Todos falam sobre uma mudança radical na política, fazem marchas e protestos pedindo a substituição dos atuais governantes por representantes do povo, os quais irão agir quase como Jesus Cristo em prol dos pobres e necessitados. Clamam uma revolução política esquecendo um pequeno detalhe: a capacidade do brasileiro de "sair por cima" onde quer que ele esteja.
 Os que lutam por um Brasil melhor devem atentar para uma evolução pessoal antes de preparar seus coquetéis molotov e suas faixas de protesto. Devem lembrar que a política do futuro é feita com as pessoas do presente. Esse episódio revolucionário foi visto várias e várias vezes na história política do país onde sempre um governo que usurpava o trono do anterior conseguia agir com maior má-fé que o anterior, independente de postura ideológica regida por tal partido. De Collor a Lula as falcatruas sempre estiveram presentes mostrando que uma revolução sem evolução do povo e da própria cultura nacional de nada vale, de nada conta. Cada um deve ter a consciência de que a política e feita de pessoas e ações, esquecendo o mito do "é culpa do sistema". Enquanto o Brasil não der um jeito no seu modus operandi de levar vantagem, não haverá revolução que dê jeito na corrupção.

"Casa de ferreiro, espeto de pau".

Gerson¹: jogador de futebol que ficou famoso por um comercial de TV que dava ênfase a levar vantagem em cima de desavisados. Também protagonista da famosa "Lei do Gerson", expressão bastante famosa para designar quem tenta obter vantagem de forma desonrosa.

Nunca


"Será que o amanhã pode sorrir?
 Indo de um lado ao outro?
 Nada mais vai contar
 Totalmente relaxado
 Onde a alegria não tem hora

 Sei que tudo pode ser complicado
 Uma brisa indecente
 Acariciando o seu profundo

 Faz querer um novo dia
 Atrás do que se foi
 Levando em conta o erro
 Trazendo de volta o apelo
 Amansando o coração."

- Paulo Medeiros

terça-feira, 26 de março de 2013

Altruísmo egoísta?

 As vezes me pego tentando emplacar uma definição prática do que seria o altruísmo. Seria aquele momento em que você da uma esmola na rua ou algo do gênero? Talvez o buraco seja mais fundo do que possamos imaginar.
 Pessoas diariamente pedem por um mundo mais companheiro, mais amoroso, mais humano. Então eu me pergunto: será que estamos realmente clamando por um altruísmo real e salvador? Uma ação totalmente livre de retorno? Então que começo a raciocinar a cerca de tudo. Quando estamos em um relacionamento tentando amar alguém é obvio que você precisa receber amor de volta, ou seja, uma troca. Quando estamos dando uma esmola para um mendigo na rua, será que não fazemos isso de uma certa forma para aliviar o "peso" que temos na consciência de desfrutar de um certo conforto enquanto o cara não tem a certeza do almoço no dia seguinte? Ou talvez o desejo de ter um filho que é tão aclamado como amor verdadeiro não seja apenas um modo de se esquivar da solidão na velhice ou talvez continuar a espalhar o seu legado no mundo? A cada tentativa de encontrar uma ação verdadeiramente altruísta você percebe que existe uma troca escondida nos bastidores da sua mente, onde a atitude aparentemente caridosa está pagando um preço subconsciente - as vezes até mesmo consciente - de algo que te consome por dentro.
 Essa é a questão: Existe uma atitude 100% altruísta ou tudo não passa de uma ilusão caridosa para um egoísmo oculto?

"Não sente-se bem por fazer o bem, faz o bem pois sente-se bem".