Aprendi uma coisa muita interessante no meu curso de economia: como classificar o valor das coisas. A gente aprende que o preço é determinado a partir de diversas variáveis: disponibilidade do produto, custo dos insumos, custo de mão-de-obra, demanda pelo bem e outras mais. Mas, a variável que mais me deixa de certa forma intrigado é a variável que não podemos de forma alguma calcular matematicamente: o valor subjetivo. Isso mesmo, o valor que cada um da em especial a um produto partindo de sua perspectiva pessoal. Digamos que João demanda um violão de marca X e está disposto a pagar 100R$ pelo violão. Já Maria está disposta a pagar pelo mesmo violão um valor de 200R$, tudo pela sua vontade de satisfazer seu desejo de possuir tal bem. É fácil observar que apesar de ser o mesmo violão, Maria está disposta a pagar o dobro. Por qual motivo? A resposta se encontra na vontade de cada um de obter um determinado bem, no caso, o quanto você está disposto a abrir mão para obter aquilo.
Não somente na economia dos produtos que tanto estudo, posso observar que podemos atribuir valores de forma similar a coisas que estão fora da gama de bens de consumo ou serviços. Não que eu queira materializar coisas "humanas", mas, apenas devo admitir que a mecânica é bastante similar.
O desejo de pagar mais, ou seja, o valor pessoal aplicado aos bens remete também por exemplo as pessoas. É engraçado como pessoas sofrem do mesmo fenômeno da satisfação marginal do consumidor, por exemplo: a tendência de um relacionamento - amoroso ou não, mas, mais notório no amoroso - será sempre o desgaste inverso ao tempo, ou seja, você terá um tendência a se preocupar menos e fazer cada vez menos sacrifícios pela relação, a menos que uma inovação seja lançada, "rebobinando" a sua satisfação em estar com aquela pessoa. Seria quase como o lançamento de uma nova versão do produto, uma atualização que o mercado oferece para você consumir novamente um bem, e assim ter a chance de sentir-se satisfeito com um mesmo produto.
Uma premissa básica econômica também se faz presente nas relações humanas: a escassez. Constantemente ficamos sabendo de alguma história narrada por um terceiro que sempre enfatiza: "só deu valor quando perdeu", então me pergunto: poxa, será mesmo que a coisa funciona sempre assim? As pessoas aprendem o valor real das coisas com sua perda? *Particularmente eu acho que é exatamente assim que funciona.*
Todas as premissas básicas da teoria microeconômica que tem como base a relação dos agentes de mercado entre si parecem curiosamente mostrar uma conexão com os seres humanos em suas relações interpessoais. Isso remete ao assunto do violão do começo do texto: será que você por mais legal que seja tem o mesmo valor subjetivo para todas as pessoas, ou seja, todos te acham legal da mesma forma? Será que o valor real de cada pessoa aumenta em sua ausência similarmente a teoria da escassez? Ou talvez a maior prova de tal conexão seja a nossa capacidade de atribuir valor as pessoas de acordo com seus insumos, ou seja, o que possuem?
Tudo isso parece uma loucura de quem anda vendo números demais, mas, acho que isso revela a minha viés para a economia comportamental. Quem sabe eu apenas tento racionalizar o que deveria ser deixado para as emoções?
A única coisa que tenho certeza é que Alfred Marshall¹ estava a pensar em pessoas quando formulou sua teoria de análise microeconômica, afinal, são poucos os economistas que conseguem enxergar as pessoas que estão por trás das equações e modelos econométricos.
Mas afinal de contas, poderia eu traçar um gráfico mostrando o fracasso progressivo da minha vida emocional ou não?! Acho que daqui pro fim do curso eu consigo descobrir.
Alfred Marshall foi um economista inglês pai do modelo de análise microeconômica, o qual visava estudar a relação dos agentes de mercado individualmente, ao invés de observar o mercado como um todo.
quarta-feira, 24 de abril de 2013
domingo, 21 de abril de 2013
A tocante história de Keanu Reeves
Keanu Reeves ficou muito conhecido em todo o mundo por seus diversos papéis em filmes importantes, tais como, Matrix, Constantine, Velocidade Máxima e muitos outros, mas apesar de todo o sucesso sua vida é bem diferente das outras estrelas de Hollywood.
Ele vem de uma família muito problemática. Quando tinha apenas 12 anos seu pai foi preso, sua mãe para conseguir pagar as contas era stripper. Durante a juventude ele viu sua namorada morrer em um acidente de carro, pouco antes deles se casarem. Antes disso ela também tinha perdido um filho dos dois. Por esse motivo Keanu sempre foge de relacionamentos sérios.
Todas essas experiências o transformaram em um artista diferente. Ao contrário de todas as estrelas do cinema, ele não possui nenhuma mansão e sempre diz: “Eu vivo em um pequeno apartamento, lá eu tenho tudo que eu preciso o tempo todo. Por que eu escolheria uma grande casa vazia?”
Depois de adulto ele ainda teve muitos outros problemas. Seu melhor amigo morreu, logo em seguida seu pai foi preso de novo e sua irmã diagnosticada com leucemia, que felizmente foi curada. Por isso ele doou 70% de tudo que ganhou com Matrix para hospitais que tratam essa doença.
É muito normal o ver andando de metro pela cidade de Nova York.
Em um de seus aniversários, ele estava sozinho e foi até uma loja de doces, comprou um bolo e sentou-se ali perto para comer. Cada vez que um fã parava e conversava com ele, Keanu dividia um pedaço de seu bolo.
Ele não sai com seguranças e nunca usa roupas caras. Quando perguntam para ele se é triste, ele simplesmente responde: "Você precisa ser feliz para viver, eu não."
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Mirror, Mirror?
Dizem que a nossa aparência seria o nosso cartão de visita, uma espécie de janela para quem realmente somos. Todos nos observam de uma maneira extremamente cautelosa em nossos primeiros encontros, fazendo aquele olhar de "scanner" dos pés a cabeça - quase sempre torcendo os lábios e levantando a sobrancelha exibindo um certo nojo. Todos costumam seguir isso a risca: barba bem feita, cabelos bem cortados e penteados. Camisa amassada? Jamais! Seguimos todos um certo padrão social que nos força a seguir a risca certos "ritos sociais", principalmente nas ocasiões que chamamos de "oportunidade de ouro". Entrevista de emprego, encontro amoroso, reunião familiar... Tantas ocasiões em que você de fato não deseja ser taxado como a "ovelha negra" por simplesmente não estar usando linho. Caráter é segundo plano, sempre a "beca" vai dar a primeira cartada em uma relação social, você querendo isso ou não.
Eu mesmo tenho o costume de andar "A la Paul", ou seja, as vezes a primeira camisa amassada que encontro no armário para uma reunião de família, as vezes alinhado demais para ir comprar pão. Eu escolho o que vou vestir seja la pra onde eu vou. Algumas pessoas acham até "descolado" fazer esse tipo de coisa, mas, te julgariam na rua da mesma forma que os outros "normais". Qual a bola da vez? Apenas Saiba que existe uma linha com 2 extremidades: uma chamada liberdade individual e outra aceitação social. Alguns nos extremos, outros tentando rebolar entre as 2. Mas, acho que no fim das contas a gente não pode correr: sempre sua aparência que deveria ser o mínimo vai pesar como o máximo. Sabe qual o ponto positivo de ocupar a extremidade da liberdade? Você automaticamente expurga a maioria dos seres desinteressantes de perto de você - apesar de também jogar pra longe uma entrevista de emprego e também sua avó.
"Quem me julga pela a aparência perdeu, pois nunca me conhecerá!"
Eu mesmo tenho o costume de andar "A la Paul", ou seja, as vezes a primeira camisa amassada que encontro no armário para uma reunião de família, as vezes alinhado demais para ir comprar pão. Eu escolho o que vou vestir seja la pra onde eu vou. Algumas pessoas acham até "descolado" fazer esse tipo de coisa, mas, te julgariam na rua da mesma forma que os outros "normais". Qual a bola da vez? Apenas Saiba que existe uma linha com 2 extremidades: uma chamada liberdade individual e outra aceitação social. Alguns nos extremos, outros tentando rebolar entre as 2. Mas, acho que no fim das contas a gente não pode correr: sempre sua aparência que deveria ser o mínimo vai pesar como o máximo. Sabe qual o ponto positivo de ocupar a extremidade da liberdade? Você automaticamente expurga a maioria dos seres desinteressantes de perto de você - apesar de também jogar pra longe uma entrevista de emprego e também sua avó.
"Quem me julga pela a aparência perdeu, pois nunca me conhecerá!"
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Paradoxo
“Se o sentido mais próximo e imediato de nossa vida não é o sofrimento, nossa existência é o maior contra-senso do mundo. Pois constitui um absurdo supor que a dor infinita, originária da necessidade essencial à vida, de que o mundo está pleno, é sem sentido e puramente acidental. Nossa receptividade para a dor é quase infinita (...). Embora toda infelicidade individual apareça como exceção, a infelicidade em geral constitui a regra” (Arthur Schopenhauer – Contribuições à doutrina do sofrimento do mundo - § 148).
Depois da afirmação acima vocês podem estar imaginando que este mosqueteiro que vos fala está sofrendo de uma baita dor-de-cotovelo, daquelas de deixar qualquer um arrasado, mas não é bem assim.
Pode até ser que Schopenhauer, ao dissertar sobre o assunto, estivesse com uma dor de corno daquelas. Ou talvez só estivesse doidão de ópio. Ou, ainda, só quisesse chocar o mundo com suas teorias. O certo é que ele não estava tão louco assim.
Ok, ok. Vamos aos argumentos que possam comprovar tal teoria.
Quem nunca sentiu o peito queimar, o corpo arrepiar, a cabeça pesada, tudo originado por um sofrimento prévio, e mesmo identificando e reconhecendo isso não quis reagir, que atire a primeira pedra. Sim, meus queridos, há quem realmente goste de sofrer, e isso não é raro.
Na verdade, dor e prazer são sentimentos tão próximos, separados por uma linha tão tênue, que muitas vezes acabam por se confundir. Pode parecer um paradoxo, mas muitas das sensações de prazer que sentimos são originárias de um sofrimento prévio. Arriscaria-me a dizer que, para alguns, o prazer é a conseqüência da dor.
Senão, vejamos.
O que levaria tanta gente a práticas sexuais tais como o sadomasoquismo? Não me ocorre outra coisa senão o fato de que, mesmo na dor (e por mais intensa que seja) há uma certa aprazia.
-Cacete, mosqueteiro, então a maioria das pessoas, na verdade, gosta de sofrer?
Não, meus queridos, não foi o que eu disse. Só disse que, para algumas pessoas, a dor causa um sentimento de satisfação diferente, que acaba se confundindo com o prazer.
Vejamos outro exemplo.
O orgasmo, uma das maiores sensações de prazer que o indivíduo pode experimentar, origina-se de impulsos que, em outras circunstâncias, o organismo entenderia como dor. E é exatamente assim que o orgasmo pode ser classificado. Como microimpulsos de dor, adaptados por nós mesmos (de forma física e psicológica) como sensação de prazer. E eu nem vou entrar no mérito dos que gostam de apanhar (e bater) na hora de “descabelar o palhaço”.
De fato, vários filósofos, psiquiatras, médicos e especialistas das mais diferentes áreas já estudaram e discorreram sobre o fenômeno aqui retratado. Um dos que mais me chamou a atenção foi Jeremy Bentham. Ele dizia ser o “homem um ser que busca o prazer, fugindo da dor”. Talvez. Mas e aqueles que, inadvertidamente, procuram a dor? Seriam “anormais”? Duvido muito.
Analisando friamente, há que se concluir que o homem é um ser que busca transformar a dor em prazer.
Diante de tudo isso, o que se pode concluir é que cultivar (e até mesmo buscar) certos “sofrimentos” não é de todo mal, desde que se tente retirar prazer de tudo o que, em outro contexto, possa fazer mal. Isto é, a dor na dose certa pode até fazer bem.
Agora, se você é daqueles que goza até com martelada no dedo, então é melhor buscar ajuda psiquiátrica urgente, porque seu problema é sério.
Fraternais Abraços.
Porthus.
Retirado de "Blog do Herege".
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Utopia distópica
"Tantas flores se mostram
Com uma beleza fenomenal
Mas apesar da formosura
As vezes com tamanha ternura
Cheiram de forma banal
Tantas rosas aparecem
Com espinhos e tamanha vida
Com uma intensidade de cor
Provocando-me um ardor
Apenas é atrevida
Entre flores e rosas
Apenas desejo o que não posso
Sentir das flores tamanho amor
Das rosas o enorme vigor
Em um perfume um tanto exótico
No meu jardim sem vida
Morreu a mais bela flor
Que ainda vivesse como rosa
Era uma flor esplendorosa
Que não aguentou tamanha dor"
- Paulo Medeiros
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Patrulha Ideológica
Alguns temas com bastante foco na atualidade que variam da causa gay ao aborto promovem debates sem fim, seja em ambiente acadêmico ou até mesmo em uma mesa de boteco. O que me deixa um pouco indagado é que nunca conseguimos ouvir alguém se pronunciar dentro de qualquer desses assuntos polêmicos de maneira sensata, ou seja, você é obrigado a defender com unhas e dentes o que seu circulo social defende, mesmo que você não tenha a mínima capacidade de argumentar sobre o assunto. Se fosse só isso era até bom, o problema é quando as pessoas realmente começam a viver um personagem que domina o assunto e merecia palanque em conferência nacional do assunto, mas, com um único detalhe: sem nenhum conhecimento prévio de tudo aquilo que está defendendo, afinal, vale tudo pelo alpinismo social. Assumindo esse personagem um tanto "sabido", torna-se instantâneo o envolvimento dentro do tema em qualquer conversa - inclusive de pessoas desconhecidas.
A "ideia" é solidificada na cabeça desses indivíduos de uma maneira que é de fato inútil argumentar, levando o que deveria ser uma discussão a um nível que remete conversar utilizando proteção auricular. Soltam farpas e xingamentos de uma maneira quase que "automática" quando percebem no seu radar uma opinião que confronte a sua - independente da argumentação usada. Não estamos falando de acadêmicos ou bem instruídos no assunto, e sim de pessoas que servem como fantoches de movimentos específicos, os famosos peões do movimento. Dispostos sempre a levar um tiro pela causa enquanto os reais pensadores abananam o fogo de longe, estes são os patrulheiros ideológicos que habitam a sociedade.
Não é permitido agir diferente, falar diferente ou até mesmo pensar diferente. Caso alguma opinião adversa seja lançada, sempre haverá um patrulheiro infiltrado pronto para defender o politicamente correto, no caso, correto para ele.
"Liberdade de expressão apenas para a minha própria expressão"
A "ideia" é solidificada na cabeça desses indivíduos de uma maneira que é de fato inútil argumentar, levando o que deveria ser uma discussão a um nível que remete conversar utilizando proteção auricular. Soltam farpas e xingamentos de uma maneira quase que "automática" quando percebem no seu radar uma opinião que confronte a sua - independente da argumentação usada. Não estamos falando de acadêmicos ou bem instruídos no assunto, e sim de pessoas que servem como fantoches de movimentos específicos, os famosos peões do movimento. Dispostos sempre a levar um tiro pela causa enquanto os reais pensadores abananam o fogo de longe, estes são os patrulheiros ideológicos que habitam a sociedade.
Não é permitido agir diferente, falar diferente ou até mesmo pensar diferente. Caso alguma opinião adversa seja lançada, sempre haverá um patrulheiro infiltrado pronto para defender o politicamente correto, no caso, correto para ele.
"Liberdade de expressão apenas para a minha própria expressão"
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